Mundo de ficçãoIniciar sessão— Anne (Mãe), cheguei!
— Gönül! Estou aqui na cozinha, filha! Gönül acenou com a cabeça para que Yaman a acompanhasse. Ao entrar, ele viu uma senhora cozinhando, muito parecida com a garota que o ajudara. Ela usava um lenço na cabeça cobrindo todo o cabelo, sem deixar nenhum fio à mostra. — E quem é você, meu jovem? — perguntou a senhora, enxugando as mãos no pano de prato. — Meu nome é Yaman... — Ele pensou em dizer seu sobrenome verdadeiro, mas, como Gönül ainda acreditava que ele era um rapaz humilde, resolveu não revelar sua identidade real naquele momento. — Yaman Demir. — Hoş geldiniz! Seja bem-vindo! Eu sou Azade, mãe desta linda moça — disse ela, abraçando a filha de lado e dando-lhe um beijo na bochecha. — Deixe-me adivinhar: minha filha te trouxe aqui para te ajudar? — Estou vendo que ela faz muito isso! — Ele olhou para a jovem, que sorriu timidamente. Quanto mais descobria sobre ela, mais se encantava. — Digamos que esta garota está sempre ajudando as pessoas. Ou melhor dizendo, os turistas que vêm para cá e acabam sendo roubados. — E foi exatamente o que aconteceu... O pior é que todas as minhas coisas estavam na mala, principalmente meu passaporte e meus documentos. — E foi por isso que o trouxe até a nossa casa! Temos um quarto que foi desocupado há uma semana. Minha mãe e eu costumávamos alugá-lo para inquilinos ou turistas que não têm muito dinheiro para pagar um hotel ou uma pousada. — O que minha filha quer dizer é que você pode ficar hospedado nesse quarto. Depois, ela pode te acompanhar até a delegacia para prestar queixa pelo roubo do seu passaporte. — Muito obrigado! Eu aceito, sim. Prometo que, assim que tiver dinheiro, vou pagar a vocês... — Nada disso! Você acabou de ser roubado e é uma vítima. É um prazer ajudar, então não fale mais em pagar nada. — Tamam! (Tudo bem!) — Vem, vou te mostrar o seu quarto! O quarto era bem simples: tinha uma cama, uma escrivaninha, um banheiro pequeno e uma janela por onde entrava um vento agradável. Dois ventiladores no teto mantinham o ambiente bastante fresco. — Não é um hotel de cinco estrelas, mas, ao longo do tempo, nós o reformamos justamente para conseguir uma renda extra. Sabe... — Ela se retraiu um pouco antes de continuar, colocando as mãos nos bolsos de trás do jeans. — Desde que meu pai morreu, há cinco anos, as coisas ficaram um pouco difíceis financeiramente. Você sabe, praticamente era o homem quem trazia o sustento para casa... Mas, graças a Allah, meu pai quitou toda a hipoteca antes de partir e nos deixou esta casa. — Eu lamento pela sua perda. — Teşekkürler. Mas minha mãe começou a trabalhar pegando turistas no aeroporto e passou a ganhar um bom dinheiro. Depois, teve a ideia de reformar o quarto que não usávamos para alugar. Ela é a pessoa mais importante da minha vida! Foi por causa dela que consegui terminar os estudos e fazer faculdade de Gestão Financeira. — Então você tem um trabalho fixo? — Ainda não... Quando terminei a faculdade, descobri que minha mãe estava doente há muito tempo e... continuei trabalhando como motorista para turistas. Assim, fico mais perto dela para cuidar da saúde dela. — Isso é admirável! — Bom... Vamos parar de falar de mim! Você descansa um pouco hoje e, amanhã, resolvemos o seu problema. Yaman se jogou na cama assim que se viu sozinho no quarto. A verdade é que ele não precisava de ajuda alguma para recuperar o passaporte ou ir à delegacia; poderia resolver aquilo com um simples telefonema. No entanto, nunca tinha conhecido uma garota tão encantadora quanto Gönül. Ele queria conhecê-la melhor, saber do que ela gostava, o que a fazia sorrir e quais eram seus sonhos para o futuro. Apesar de uma perda tão dolorosa, ela se mantinha firme ao lado da mãe. Yaman sabia muito bem como era perder alguém amado — especialmente porque a própria mãe fora assassinada em sua frente. Ele balançou a cabeça, tentando afastar a lembrança daquele dia trágico. Tinha apenas doze anos quando presenciou a cena. Ficara paralisado enquanto via a mãe perder a vida, usando seu último fôlego para dizer o quanto o amava e para pedir que ele ficasse calmo, pois tudo ficaria bem. Ele foi tirado de seus pensamentos quando o celular tocou. A tela exibia o nome do remetente: "BABA" (PAI) Era seu pai ligando. Yaman já imaginava o motivo. O patriarca era uma das razões pelas quais ele fizera aquela viagem. O pai lhe dera um prazo definitivo para assumir a presidência da empresa e a liderança da família Karahan. Yaman só queria um momento de liberdade antes de dizer "sim" para tudo. E, mesmo que quisesse recusar, não podia: fizera essa promessa à mãe em seus últimos instantes de vida. Não falharia com ela. Além disso, por mais que achasse o pai exigente, ele o respeitava profundamente. Para Yaman, o pai era sua maior inspiração como homem. Testemunhara quantas vezes ele fora um líder sensato, um marido carinhoso e protetor, e um pai zeloso. Sempre obedecera a cada palavra do patriarca, cumprindo rigorosamente suas ordens. Apenas para uma coisa, uma única coisa na vida, Yaman havia imposto uma condição ao pai: ele mesmo escolheria a mulher com quem iria se casar.






