Só vamos deixar acontecer

Yaman era um homem atraente para qualquer mulher. Seus olhos castanho-claros combinavam perfeitamente com os cabelos um pouco longos, que caíam levemente sobre o rosto. Seu físico era forte e bem-definido, como o de quem praticava esportes ou musculação com frequência. Houve até uma ocasião em que, sem que ele soubesse, Gönül o vira sem camisa e ficara fascinada. Os músculos definidos do tórax e da barriga fizeram com que ela, pela primeira vez na vida, desejasse um homem daquela maneira. Uma coisa era inegável: Yaman não era apenas lindo e perfeito, era um verdadeiro pedaço de mau caminho.

No entanto, Gönül não queria se envolver seriamente com qualquer pessoa. A saúde debilitada de sua mãe a fazia pensar e repensar suas escolhas. Azade tinha câncer e, mesmo que fizessem todos os tratamentos possíveis, nada adiantaria: a doença já atingira o estágio terminal, onde não havia mais o que fazer além de esperar o inevitável.

Sua mãe descobrira o câncer quando Gönül estava no início do primeiro ano da faculdade, mas resolveu esconder a verdade o máximo que pôde. Faltando apenas um ano para a graduação, Azade desmaiou durante a noite e, com a ajuda dos vizinhos, Gönül a levou às pressas para o hospital. Foi naquela noite que descobriu a terrível realidade.

A princípio, sentiu raiva e revolta por ter sido mantida no escuro sobre algo tão grave. Mas logo a perdoou, percebendo que a única coisa que lhe restava era aproveitar cada segundo ao seu lado. Afinal, desde a morte do pai por uma doença grave, ela não tinha mais ninguém no mundo além da mãe.

Gönül sabia que, quando a mãe fechasse os olhos para sempre, ela precisaria sobreviver sozinha. Por isso, decidiu que não sonharia pequeno. Para sair daquela vida humilde, o único caminho que enxergava era casar-se com um homem rico, alguém que pudesse lhe dar uma vida de rainha — algo que considerava merecer.

Mas, desde a chegada de Yaman, ela se via dividida entre suas ambições e o homem à sua frente. Uma parte de si desejava entregar-se àquele sentimento, mas a outra a lembrava de que precisava pensar no futuro e realizar seu maior sonho.

Agora, diante da declaração sincera de Yaman, seu coração acelerou. Sentiu uma onda de felicidade ao descobrir que a atração que sentia era completamente correspondida.

— Eu ainda não posso dizer que sinto o mesmo... mas posso dizer que gosto de você!

Ela estava sendo sincera. Não havia mentira em suas palavras, mas isso tampouco significava que aceitaria um relacionamento sério, um noivado ou um futuro casamento. Para ela, como Yaman era apenas um motorista de passagem pela cidade, poderiam viver uma aventura amorosa antes que ela encontrasse o marido rico que desejava.

Foi então que ela foi pega de surpresa: os lábios quentes de Yaman tocaram os seus. A princípio, foi um roçar suave e inocente, sem malícia, delicado. Em seguida, com as mãos fortes entrelaçadas nos cabelos dela, Yaman a puxou para mais perto e aprofundou o beijo. O toque inocente deu lugar a um beijo intenso, ardente e avassalador. Eles se beijavam ali mesmo, no balão, até que a falta de ar os forçou a se separar, mantendo apenas as testas coladas.

— Então quer dizer que...

— Só vamos deixar acontecer!

E voltaram a se beijar apaixonadamente. Gönül queria apenas aproveitar o momento e viver aquela aventura sem promessas que talvez não pudesse cumprir, embora não tivesse coragem de admitir que, para ela, ele era apenas uma história passageira.

3 DIAS DEPOIS...

A cada dia, Gönül e Yaman se deixavam levar ainda mais pela paixão ardente que nutriam um pelo outro. Havia uma atração avassaladora que os impelia a viver o presente sem pensar no futuro ou nas possíveis consequências.

Com o fim das férias e a partida dos turistas, eles ganharam mais tempo a sós. Os trabalhos dos últimos dias renderam o suficiente para pagar as despesas da casa, além de permitir que Yaman comprasse algumas roupas novas e itens de uso pessoal.

Azade nada sabia sobre o envolvimento dos dois. Gönül fizera o rapaz prometer que o relacionamento permaneceria em segredo, e ele concordou. Yaman estava tão apaixonado que não questionava nenhum dos pedidos dela; fazia tudo para agradá-la.

Embora não fosse totalmente transparente sobre suas intenções futuras, Gönül fora sincera ao revelar que já não era virgem. No primeiro momento, ele se surpreendeu, mas aceitou sem hesitação, respeitando a bagagem da jovem.

O relacionamento deles ia muito além de abraços e carinhos. A entrega física era frequente e intensa; quase todas as noites, assim que a mãe adormecia, Gönül ia até o quarto de Yaman.

Naquela noite, porém, eles estavam completamente sós na casa, já que a mãe dela precisara passar a noite na residência de uma amiga.

Embora não fosse totalmente transparente sobre suas intenções futuras, Gönül fora sincera ao revelar que já não era virgem. No primeiro momento, ele se surpreendeu, mas aceitou sem hesitação, respeitando a bagagem da jovem.

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