A noite parecia mais longa do que deveria enquanto Lauren encarava o próprio reflexo no espelho. Seus olhos estavam vermelhos, não por chorar — mas pelo peso silencioso de tudo que estava prestes a acontecer.
Dante tinha um talento único: transformar silêncio em pressão.
E agora, ele estava ali.
No mesmo ambiente.
No mesmo andar.
No mesmo fôlego.
Quando ela desceu as escadas, encontrou Dante parado perto da grande janela da sala, a cidade iluminando a silhueta dele como um alerta visual: poder e perigo em estado bruto.
Ele não se virou imediatamente. Lauren odiava — e amava — que ele sempre a sentia antes de olhar.
— Você demorou — disse Dante finalmente, a voz baixa, sem pressa.
— Eu não sou sua subalterna — ela respondeu, mantendo o queixo erguido.
Ele se virou então.
O olhar era uma mistura de exaustão e domínio — de quem já perdera demais para permitir outra falha.
— Se eu quisesse subalternos, escolheria pessoas que não mentem pra mim — rebateu ele, caminhando devagar