A manhã seguinte chegou sem o aviso de um sonho, sem descanso, sem pausa.
Dante não lembrava a última vez que havia dormido — não no sentido físico, mas no sentido humano. Seu corpo podia ter apagado por algumas horas, mas a mente continuou trabalhando, queimando, encaixando peças como um animal preso que recusava aceitar que perdeu algo.
Ele não tinha perdido.
Não ainda.
A cidade seguia viva lá fora — carros, buzinas, passos apressados, risadas distantes. Mas nada daquilo parecia real. Só havia duas certezas naquele momento:
Isabella tinha ido embora.
E ele não sabia por que.
Não um motivo verdadeiro.
Não a versão crua.
Aquele bilhete que ela deixara — três palavras, calmas demais para o caos que carregavam — não era explicação. Era isca.
“Não confie em ninguém.”
Ele releu essas palavras tantas vezes que já não sabia se significavam aviso, ameaça ou confissão.
Dante apoiou as mãos na mesa, respirando devagar, enquanto o eco daquela noite voltava como um golpe seco:
— Voc