Mundo ficciónIniciar sesión“Marca da Lua” é uma história eletricamente carregada de mistério, paixão e poder. Azara Ashthorne, uma jovem caçadora de lobos altamente treinada, vê sua vida virar de cabeça para baixo ao descobrir uma verdade devastadora: ela mesma é uma loba. Marcada pela mordida de um alfa, Azara se vê dividida entre os caçadores e a matilha, entre seu destino e suas crenças. Quando os segredos de sua linhagem começam a emergir, ela é forçada a confrontar os fantasmas de seu passado e a verdade sobre a guerra iminente entre lobos e caçadores. Envolta por uma tensão crescente e desejos incontroláveis, Azara terá que fazer escolhas que moldarão o futuro de todos ao seu redor. Em um mundo onde lealdade é testada, o amor é perigoso e a sobrevivência é um jogo implacável, Azara descobrirá que, para salvar aqueles que ama, precisará aceitar a “marca” que a liga a um destino maior do que ela poderia imaginar. Misture magia ancestral, criaturas místicas e uma luta interna que vai prender você do início ao fim. Se você gosta de histórias com heróis complexos, romances proibidos e batalhas épicas entre o bem e o mal, “Marca da Lua” é para você.
Leer másNarrado por Azara Ashthorne
Sempre soube quem eu era. Desde o momento em que fui trazida à vida, entendi que meu destino estava selado. Fui criada para caçar lobos, para erradicar as criaturas que, de acordo com minha linhagem, representavam uma ameaça à ordem. Minha infância foi moldada por treinamentos implacáveis e histórias de coragem, enquanto meu corpo e mente eram preparados para enfrentar os monstros que habitavam as sombras da noite. Eu não questionava. Não duvidava. Não sentia medo. Meu dever era claro, e eu o cumpriria sem hesitação. Meus reflexos são rápidos, minha lâmina é afiada, e meu corpo, incansável. Essa é a combinação que me tornou boa no que faço, que fez de mim uma caçadora respeitada. Mas havia algo… algo que nunca consegui entender completamente. Mesmo enquanto caçava, uma inquietação sutil me perseguia. Um vazio silencioso que surgia em momentos estranhos — quando o vento soprava de uma forma específica contra o meu rosto, ou quando a lua cheia despontava no céu e parecia me olhar de volta. Essa sensação… de algo perdido, algo ausente, sempre esteve ali. Mas ultimamente, ela crescia. Se espalhava em mim como uma raiz antiga despertando do sono. Nunca fui de demonstrar sentimentos. Sempre os escondi numa caixinha bem trancada, longe dos olhos atentos da minha família. Mas, nos últimos meses, depois de cada caçada, havia uma solidão latejante. Achei que fosse o peso da responsabilidade. A pressão de sempre ter que ser a melhor. Mas agora não tenho mais tanta certeza. Parece mais profundo. Como se eu estivesse prestes a encarar minha verdadeira prova — uma que ninguém me treinou para enfrentar. Fui até a janela do quarto e encarei o céu. A lua cheia brilhava com arrogância sobre o manto negro da noite. Prateada, viva, quase chamando por mim. Tentei focar nos sons da casa — vozes ao longe, madeira estalando, o mundo normal —, mas a sensação de estar sendo puxada para dentro de mim mesma era mais forte. A solidão parecia me envolver com dedos frios. E eu me perguntava, pela primeira vez com honestidade: aquilo era apenas parte da minha missão… ou o sinal de algo maior se aproximando? Minha vida sempre foi definida pela caça. Eu era uma caçadora. Mas quem sou além disso? O que restaria se a lâmina fosse arrancada da minha mão? As vozes na cozinha começaram a se destacar, puxando-me de volta à realidade. Minha família conversava animadamente sobre a tão esperada caçada em Lapéria. Amanhã. Sempre havia animação antes de uma missão importante. Lapéria, com suas florestas cerradas e úmidas, era o lar de lobos altamente treinados para matar. Predadores quase perfeitos. A ideia era simples: exterminar. Depois disso, mudaríamos novamente — destino: Feendale. Nunca estive lá, mas só de ouvir o nome, um arrepio estranho percorreu minha pele. Havia algo naquele lugar… algo que me inquietava de uma forma que eu não conseguia explicar. Fechei os olhos, tentando ignorar a intuição incômoda. Não fazia sentido. Era só mais uma cidade, mais uma missão, mais um ciclo. Deveria estar empolgada, como todos os outros. Mais uma caçada bem-sucedida significava prestígio. Honra para os Ashthorne. Respeito entre os clãs. Sempre foi assim. E eu sempre aceitei. Mas dessa vez, algo estava diferente. Afastei-me da janela e caminhei de volta pelo quarto. Cada passo parecia pesar mais do que o anterior. A lua cheia banhava o chão de madeira com sua luz fria, projetando minha sombra longa, quase deformada. Não era medo o que eu sentia — já enfrentei lobos, já vi olhos brilhando no escuro antes do ataque, já senti o sangue escorrendo pela pele depois de uma batalha. Mas Feendale… Por que esse nome ecoava dentro de mim como um chamado antigo? Peguei minha faca na mesa de cabeceira e a girei entre os dedos. A lâmina brilhou ao refletir a luz da lua — um lembrete silencioso de quem eu era. Caçar. Matar. Sobreviver. Era isso o que fazíamos. Era isso que me ensinavam a ser. As vozes no andar de baixo aumentaram. A risada do meu tio August ecoou, seguida pelo som de copos brindando. A conversa girava em torno de estratégias, emboscadas, armadilhas. Estavam prontos. Confiavam em mim. Sabiam que eu era a melhor. E eu não hesitaria. Não agora. Guardei a faca no coldre da coxa e desci as escadas. O cheiro de carne assada, cerveja e lenha me envolveu como um abraço familiar. A casa de madeira estava cheia de gente — meu clã. Todos reunidos, aquecidos pelo brilho da lareira, cheios de expectativa. — Finalmente saiu do esconderijo, Azara? — meu tio August provocou, erguendo o copo num brinde informal. — Achei que fosse se recolher cedo, a princesa da lâmina precisa descansar, não é? — Só estava organizando meu equipamento — menti, pegando uma maçã da fruteira e me sentando num canto da mesa. Minha mãe, Helena, me observou em silêncio por um instante, seus olhos sempre atentos. Ela tinha esse olhar que parecia atravessar a pele e enxergar o que se escondia por dentro. Mas, como sempre, não pressionou. — Vai ser uma caçada histórica — comentou meu primo Elias, empolgado demais. — Os lobos de Lapéria são monstros. Mal posso esperar pra arrancar a cabeça de um. Mordi a maçã e fiquei em silêncio. Eles estavam ansiosos. Eu deveria estar também. Mas minha mente permanecia distante, vagando entre os uivos que pareciam sussurrar no vento e a palavra que insistia em me seguir: Feendale. Algo me esperava lá. Eu podia sentir isso como se já estivesse marcado em minha pele. — O que te incomoda? — A voz suave da minha mãe quebrou o fluxo dos meus pensamentos. Ela se aproximou, pousando a mão com delicadeza sobre o meu ombro. Ao seu lado, meu irmão me observava com aquele olhar meticuloso de sempre. — Nada. Só estou com um pouco de dor de cabeça — menti, sustentando uma expressão neutra. Ela suspirou e assentiu com leveza. — Então vá descansar, meu amor. Amanhã será um grande dia para todos nós. Assenti e me levantei, pronta para me recolher antes que alguém resolvesse cavar mais fundo. Mas, antes de sair da cozinha, uma mão firme agarrou meu braço. — Antes de ir — disse meu irmão com um sorriso desafiador —, vamos apostar? Quem arrancar a cabeça do maior lobo amanhã leva mil dólares. Topa? Soltei um suspiro curto, puxando meu braço com calma. Era sempre assim entre nós. Competição disfarçada de afeto. Sangue, suor e uma eterna disputa por reconhecimento. — Só mil? — arqueei a sobrancelha. — Você sabe que eu sempre ganho. Ele riu, convencido de que, dessa vez, seria diferente. — Vamos ver amanhã. Deixei a cozinha com passos firmes, mas o sorriso que forcei já tinha sumido antes mesmo de alcançar meu quarto. Subi as escadas lentamente. Fechei a porta. Deitei. O silêncio me encontrou primeiro. Depois, veio o pressentimento. Amanhã. Mais uma caçada. Mais uma missão. Mas algo — talvez o destino, talvez um chamado que eu ainda não entendia — dizia que essa não seria como as outras. E, pela primeira vez, eu não sabia se estava pronta para o que viria.O silêncio dentro do galpão não era apenas ausência de som; era uma presença viva, pesada, que parecia se infiltrar nos pulmões e tornar cada respiração mais difícil. A lâmpada solitária pendurada no teto balançava lentamente, lançando sombras distorcidas pelas paredes de madeira envelhecida, como se o próprio lugar testemunhasse aquilo que estava prestes a acontecer. O ar tinha cheiro de ferro, terra úmida e algo mais profundo, algo que lembrava o gosto amargo da traição.Aurora estava presa no centro do galpão, com os pulsos acorrentados acima da cabeça, o corpo inclinado para frente pelo peso das correntes. Seu cabelo caía desordenado sobre o rosto, e havia um traço de sangue seco no canto de seus lábios. Mesmo naquele estado, algo em sua postura ainda transmitia uma estranha dignidade, como se ela se recusasse a se curvar completamente diante da situação.Fiquei alguns passos afastado, observando-a em silêncio, tentando reconciliar a imagem daquela prisioneira com a garota que hav
Capítulo 61Ethan Ashthorne — Cinzas e PromessasO ódio tem cheiro.As pessoas costumam dizer que o ódio é uma emoção, um sentimento que nasce no peito e morre ali mesmo, dissolvido pelo tempo. Mas estão erradas.O ódio é físico.Ele tem peso.Ele tem sabor.E naquela noite… ele tinha cheiro de gasolina, ferro enferrujado e sangue seco.Eu estava com tanto ódio de Azara que a queimaria viva com minhas próprias mãos.Cada pensamento sobre ela fazia meu peito se contrair como se garras invisíveis estivessem apertando meu coração. Não era apenas raiva. Não era apenas traição.Era algo mais profundo.Algo que vinha de anos.De uma vida inteira construída sobre mentiras.Voltei para o galpão com passos pesados, sentindo a poeira do chão subir a cada pisada. O lugar estava quase escuro, iluminado apenas por uma lâmpada amarelada pendurada no teto por um fio torto.O ar ali dentro era quente e abafado.Perfeito para alguém enlouquecer.Aurora estava exatamente onde eu a havia deixado.Amarra
A primeira coisa que senti foi o cheiro da terra molhada. O vento carregava o aroma das flores silvestres, e uma brisa quente envolveu minha pele.Eu pisquei, confusa.O céu acima de mim estava pintado de tons dourados e alaranjados, o sol se pondo lentamente no horizonte. No alto, a lua começava a se erguer, e ao seu redor, estrelas brilhavam como pequenos diamantes.E então, eu vi.Solaria.Não as ruínas abandonadas, nem a terra devastada pela guerra, mas a verdadeira Solaria. O que ela era antes do sangue, antes da destruição.As aldeias eram vivas, cheias de música e risadas. Crianças corriam entre as casas de pedra e madeira, enquanto mulheres trançavam os cabelos umas das outras, contando histórias antigas sob a luz das tochas. Homens e lobos treinavam lado a lado, suas presas e garras afiadas, mas não para atacar—para proteger.Havia harmonia.A lua era adorada como mãe e guia, e seus filhos caminhavam sob sua luz sem medo. As marcas da lua eram vistas com orgulho em alguns, sí
A lua pendia alta, prateada, observando cada movimento da clareira como se fosse um juiz silencioso. Seu brilho atravessava as ruínas antigas de Solaria, iluminando os escombros das paredes que um dia guardaram glórias esquecidas. O vento soprava entre as árvores retorcidas, carregando folhas secas que dançavam em círculos, como se celebrassem e advertissem ao mesmo tempo. Eu, o último guardião das tradições antigas, sentia cada fibra do meu ser vibrar em expectativa. O terceiro desafio não era apenas uma prova. Era a prova. E, desta vez, não existia margem para erros.Azara estava lá, sentada ao lado de Duke. O corpo dela ainda trazia os sinais dos desafios anteriores, mas algo nela parecia diferente. As marcas em sua pele, que antes apenas cintilavam como lembranças do seu sangue ancestral, agora pulsavam com intensidade própria, irradiando energia. Era um poder vivo, em crescimento, uma força que nem ela mesma compreendia completamente. Eu sabia que todos os lobos ao redor a viam a
Último capítulo