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Manual do Homem certo (que é todo errado)
Manual do Homem certo (que é todo errado)
Por: Mary
Capitulo 1:O Fim do Mundo em Duas Traições e Um Capô de Carro

Fernanda Vasques

Tudo começou com um gemido.

E não era meu.

Estava voltando do almoço mais ou menos feliz — porque pizza de quatro queijos é minha religião — quando resolvi passar em casa pra pegar minha sombrinha. Nuvens ameaçadoras pairavam no céu e, como boa azarada de nascença, se eu não me precavesse, ia tomar um banho de chuva com trovão incluso.

O problema?

O problema estava na minha cama.

Ou melhor, no meu namorado — pelado — transando com a minha prima.

Isso mesmo. PRIMA. De sangue. Daquelas que sentam do seu lado nas festas de família, dizem que te amam e ainda pedem a receita da sua lasanha.

— Fernanda! — gritou o canalha, tentando cobrir o que eu já conhecia de olhos fechados (infelizmente).

— Ai, prima... desculpa! — ela disse, com a cara mais lavada do planeta Terra.

— Desculpa? Desculpa?! — arregalei os olhos, soltando uma risada que mais parecia um surto. — Você tá dando pro meu namorado e acha que um "desculpa" resolve? Quer que eu te traga uma água com gás e um muffin também, Jéssica?

Saí antes que fosse presa por homicídio.

Mas o universo não tinha terminado comigo ainda.

Cheguei no trabalho com cara de quem tinha visto o capeta — e visto mesmo — e minha chefe me chama na sala. Resultado? DEMITIDA. Segundo ela, estavam "fazendo cortes". Mas bem na semana em que eu pedi aumento? Coincidência, meu rabo.

Duas horas depois, eu era uma mulher solteira, desempregada e traída duplamente. E como cereja do bolo da tragédia: ainda caiu um toró na minha cabeça. Sem sombrinha. Porque a vida é uma stand-up trágica.

— Relaxa, amiga, é só uma fase — disse a Clara, minha melhor amiga, enquanto me servia um copo de vinho que eu não tinha dinheiro pra pagar.

— Fase? Clara, isso aqui não é fase. É reencarnação mal feita. Eu devo ter sido traficante de alma na outra vida.

Depois de beber o vinho como quem bebe gasolina, fui andando pra casa com a mesma dignidade de um pinguim manco. E foi aí que aconteceu.

BUM!

Um carro freou do nada e eu fui parar em cima do capô como se estivesse gravando uma cena de novela mexicana. Só que a trilha sonora era o meu grito.

— MEU DEUS! VOCÊ TÁ BEM?! — perguntou o motorista, abrindo a porta com uma expressão de pânico.

Quando eu levantei, o que vi me fez perder o ar — e não pela batida.

O homem era lindo. LINDO. Daqueles que você tem certeza que o universo só criou pra causar distúrbios hormonais nas mulheres honestas.

Moreno, alto, braços fortes, maxilar afiado e um sorriso que, se existisse na Idade Média, teria sido declarado feitiçaria.

— Tô ótima. Só queria morrer com mais glamour — murmurei, ajeitando minha blusa molhada de chuva.

— Foi sem querer. Eu me distraí com a chuva. Quer que eu te leve pra um hospital?

— Hospital? Eu já tô morta por dentro, querido. Só preciso de uma pizza e de um tapa na cara do destino.

Ele riu.

— Você é meio maluca?

— E você é cego? Olha o tamanho da minha bunda e me diz como não viu ela no meio da rua!

— Achei que era miragem.

Filho da...

Sem dar mais uma palavra, dei meia-volta e fui embora molhada, irritada e estranhamente quente por dentro.

Eu achava que nunca mais ia ver aquele homem.

Mas o universo adora me colocar no cu— com glitter.

Porque três dias depois, a casa luxuosa do lado da minha foi vendida.

E adivinha quem era o novo vizinho?

Pietro Cavallini.

O homem do carro.

O pecado em forma de vizinho.

O galinha confesso.

E minha paciência? Já entrou com pedido de demissão.

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