Chovia em Lisboa.
Daquelas chuvas miúdas, persistentes, que mais parecem lembrança do que tempestade.
Luiza caminhava sob o guarda-chuva, o passo lento, o coração inquieto.
O vento vinha do Tejo, frio, cortante, mas havia uma estranha leveza no ar — como se o mundo, finalmente, respirasse depois de segurar o fôlego por tempo demais.
Ela ainda não sabia se o encontraria.
Não tinha marcado nada, não havia planos.
Mas havia aquele pressentimento — o mesmo que sempre a levava de volta aos lugares o