Mundo ficciónIniciar sesión"Eu fugi de um monstro para cair nos braços do próprio Diabo." Bianca Conti acreditava ter encontrado o refúgio perfeito em uma isolada e luxuosa propriedade na Itália. Fugindo de um passado traumático no Brasil, sua única missão era cuidar de Mia, uma menina de oito anos quebrada pelo luto. O que ela não esperava era Lorenzo Vitale, seu patrão de 38 anos, um homem de beleza gélida e segredos letais. Lorenzo não é apenas um empresário. Ele é o "Limpador" da Camorra, o homem que apaga vestígios de crimes que o mundo nunca deve ver. Ele vive sob uma regra rígida: ninguém entra no seu mundo e sai vivo. Mas quando um atentado coloca a vida de sua filha em risco, é Bianca quem mostra os dentes para protegê-la. Agora, ela sabe demais. Pelas leis da máfia, Bianca deveria ser eliminada. Mas Lorenzo está obcecado pela coragem da jovem babá. Em um jogo perigoso de poder, proteção extrema e um desejo proibido que desafia o perigo, Bianca descobrirá que o lugar mais seguro, e mais pecaminoso do mundo é a cama do homem que deveria ser seu pior pesadelo.
Leer másO ar da Toscana era doce, perfumado com videiras e terra molhada, mas meus pulmões pareciam recusar o oxigênio. Eu estava parada diante de dois portões de ferro batido que pareciam mais a entrada de uma fortaleza do que de uma residência.
Eu não tinha escolha. Atrás de mim, estavam os fantasmas de um passado que quase me destruiu. À minha frente, o desconhecido. — Nome? — A voz grossa veio de um interfone de metal. — Bianca Conti. Vim para a entrevista com o senhor Vitale. Houve um estalo elétrico e os portões se abriram lentamente. Caminhei pela estrada de cascalho, apertando a alça da minha bolsa gasta. A propriedade era magnífica. Uma villa de pedra antiga, cercada por ciprestes altos que pareciam sentinelas. Mas, quanto mais eu me aproximava, mais o silêncio me incomodava. Era um silêncio pesado, de quem tem algo a esconder. Uma governanta de rosto severo me recebeu e me guiou por corredores de mármore frio até uma porta de carvalho maciço. — Ele detesta atrasos. Entre. — Foi tudo o que ela disse antes de me deixar sozinha. Respirei fundo, ajeitei minha saia e bati. — Entre — uma voz profunda, como o som de trovão distante, ecoou lá de dentro. Ao entrar, o contraste me atingiu. O escritório era escuro, iluminado apenas por algumas luminárias de luz quente. Atrás de uma mesa imensa, estava ele. Lorenzo Vitale. As fotos que vi não faziam justiça à presença física que ele emanava. Ele era maior, mais imponente e assustadoramente bonito. O cabelo escuro estava penteado para trás, e os olhos cinzas — cor de chumbo — estavam fixos em alguns papéis. Ele não levantou a cabeça de imediato. — Você é jovem — ele disse, finalmente olhando para mim. O impacto daquele olhar me fez perder o fôlego por um segundo. — Vinte e um anos? — Sim, senhor. Mas tenho experiência com crianças e... — Eu não preciso de uma babá que saiba apenas trocar fraldas e contar histórias de ninar, senhorita Conti — ele me interrompeu, levantando-se. Ele era alto, muito alto. O terno cinza sob medida abraçava ombros largos que pareciam carregar o peso do mundo. — Minha filha, Mia, perdeu a mãe. Ela é... difícil. Ela precisa de alguém que não quebre sob pressão. Ele caminhou em minha direção. Cada passo era predatório, como um lobo avaliando uma presa. Lorenzo parou a centímetros de mim. O cheiro dele de tabaco caro, sândalo e algo metálico que eu não soube identificar, me envolveu. — Por que uma garota brasileira, tão jovem e com um currículo tão vago, viria parar justamente na minha porta, no meio do nada? — Ele se inclinou, a voz baixando para um tom perigosamente íntimo. — De quem você está fugindo, Bianca? Meu coração disparou. Senti minhas mãos tremerem e as escondi atrás das costas. — Todos estamos fugindo de algo, senhor Vitale. Alguns de nós só querem um lugar onde o passado não nos encontre. Um brilho de interesse cruzou aqueles olhos gélidos. Por um momento, o silêncio entre nós foi preenchido apenas pelo som da minha respiração acelerada. Ele estava perto demais, e a diferença de idade e poder entre nós parecia um abismo que, estranhamente, me atraía. — Papai? Uma voz pequena e triste veio da porta. Lorenzo se afastou instantaneamente, a máscara de gelo voltando ao rosto. Uma menina de cabelos escuros e olhos grandes e melancólicos estava parada ali, abraçando um urso de pelúcia desbotado. Lorenzo olhou de Mia para mim. — O quarto dela é no final do corredor à esquerda. O seu é ao lado. Se você fizer a minha filha chorar, estará fora antes do pôr do sol. Se você me trair... — Ele não terminou a frase, mas o aviso estava gravado em cada linha de seu rosto. — Eu não vou falhar — afirmei, embora minhas pernas parecessem feitas de gelatina. — Veremos. Saí do escritório sentindo o olhar dele queimando minhas costas. Eu sabia que aquela casa era perigosa. Eu sabia que aquele homem era o próprio perigo. Mas, pela primeira vez em meses, eu não senti medo do passado. Eu senti medo do que Lorenzo Vitale poderia despertar em mim.O barulho dos frascos de vidro rolando pelo chão parecia o eco de um bombardeio na minha cabeça. O ar no quarto ficou rarefeito instantaneamente, impregnado com o cheiro pesado de álcool, colônia barata e o perfume amadeirado de Lorenzo. Com os hormônios da gravidez à flor da pele, meu peito subia e descia em espasmos. Senti o sangue ferver, subindo pelas minhas veias como lava.Respirei fundo uma vez. Forcei o ar a entrar nos meus pulmões, lutando contra a tontura que ameaçava me derrubar. Respirei novamente, as mãos cravadas no tecido lilás da camisola de seda, e perguntei, com uma calma pausada que mascarava o inferno que rugia dentro de mim:— O que... significa... isso?A mulher inclinou a cabeça, o corpo esculpido se movendo com uma lentidão calculada. O sorriso nos l&
A água quente que caía do chuveiro da suíte parecia a única coisa capaz de lavar, mesmo que superficialmente, a crosta de graxa, pólvora e a fumaça do morro que pareciam ter grudado na minha alma. Fiquei longos minutos sob o vapor do banheiro, deixando as gotas pesadas baterem contra as minhas costas, tentando sufocar os soluços que ainda insistiam em subir pela minha garganta. Meu corpo todo doía. Cada músculo parecia ter sido esticado até o limite, e a cicatriz da minha cirurgia em Milão latejava sutilmente, um lembrete físico de que eu nunca estive verdadeiramente livre.Mais tarde naquele mesmo dia, o sol começou a se deitar atrás das montanhas do Joá, banhando o quarto com uma luz alaranjada e melancólica. Encontrei o meu celular em cima da escrivaninha. Segurei o aparelho por um instante, a tela escura refletindo o meu rosto pálido e as olheiras profundas. Pensei em tudo o que já tinha passado. Sobre como a minha
O silêncio que se seguiu ao meu desabafo foi quase pior do que os gritos de Lorenzo. O peito dele subia e descia contra o meu, o calor do seu corpo emanando através da camisa social suja de pólvora e sangue. A carícia no meu maxilar ainda era possessiva, mas o aperto havia cedido o suficiente para que eu recuperasse um resquício de ar nos pulmões.E com o ar, veio o medo. Um medo visceral e agudo que não era mais apenas por mim ou pela Mia, mas pelo segredo que estava guardado no plástico rígido dentro do meu bolso. Duas linhas vermelhas. Se Lorenzo me tocasse agora, se ele me puxasse para a mesa daquele escritório com a violência selvagem de quem quer reivindicar território, ele sentiria a mudança no meu corpo. Ele leria as entrelinhas da minha fragilidade.Reunindo as forças que eu nem sabia que tinha, apoiei as palmas das mãos no peito dele e empurrei. Tentei me afastar, deslizando a
O trajeto de volta para a mansão no Joá foi cercado por um silêncio sufocante, interrompido apenas pelo ronco agressivo do motor do SUV blindado cortando a madrugada escura do Rio de Janeiro. Quando os portões de ferro pesado finalmente se fecharam atrás de nós, trancando o mundo lá fora, senti meu peito se contrair. Eu estava de volta à jaula.Lorenzo desceu do carro primeiro. Ele não esperou por Franco; ele mesmo abriu a porta traseira com uma urgência brutal. Seus olhos cinzentos mal olharam para mim antes de se fixarem em Mia. Em um movimento rápido, o Lobo de Roma puxou a filha para os braços, apertando-a contra o peito tático com uma força que demonstrava todo o pânico que ele havia escondido sob a máscara de Don. Ele enterrou o rosto no cabelo dela, respirando fundo o cheiro da menina, e deu um beijo demorado e apertado na sua bochecha.— O papai está aqui — ele sussurrou, a voz
Último capítulo