A manhã estava morna, o tipo de temperatura que parece fingir que está tudo bem. O sol batia pelas cortinas finas da sala, riscando o chão de luz. A mãe estava sentada no sofá, o lenço amarrado sobre a cabeça, os olhos tranquilos pela primeira vez em dias. Eu estava na cozinha, lavando a louça, tentando ocupar as mãos pra não ocupar a cabeça.
O celular dela vibrou. “Tia Cássia”, dizia na tela.
— Atende pra mim, filha? — pediu, com a voz cansada.
Peguei o aparelho e levei até ela.
— É a tia.
Ela