Lisboa parecia suspensa no ar.
As manhãs vinham com uma luz dourada demais, quase insolente, como se o sol não soubesse que o mundo podia estar em pedaços. Acordei com o som distante de um bonde passando pela rua e o aroma de café vindo da cozinha. Por um instante, achei que ainda estivesse sonhando — que, se olhasse pro lado, veria Apolo dormindo, o cabelo bagunçado, o peito subindo e descendo devagar.
Mas o travesseiro ao lado estava frio. E fazia tempo que estava assim.
Levantei devagar, ten