CAPÍTULO 31

Narrado por Henrique

O silêncio do apartamento caiu sobre mim com um peso sufocante. A porta havia se fechado, o clique final da fechadura ecoando no vazio que agora parecia amplificado. A mobília minimalista, que eu sempre considerei funcional e adequada, agora parecia apenas estéril. As paredes brancas, que nunca me incomodaram, gritavam solidão.

O ar parado não carregava mais o leve perfume floral de Anita, nem o eco do riso de Chun-he. Era apenas… ar. Eu me movi pela sala, meus passos soando altos no piso de madeira, e meu olhar foi atraído para um pequeno brilho entre as almofadas do sofá.

Me abaixei e peguei um pequeno brinco de morango, o que Shun-he usava de manhã. A peça minúscula e colorida repousou na palma da minha mão, um objeto tão pequeno e colorido no meu mundo cinza. Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios, um movimento estranho, mas genuíno. Aquele pequeno objeto era a prova física de que elas estiveram aqui. De que aquilo foi real.

Mas a mente é uma armadilha
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