Narrado por Anita
A porta do meu apartamento se fechou atrás de mim e, por um instante, fiquei parada de costas para ela, como se ainda pudesse sentir Henrique do outro lado, sua ausência ocupando o espaço que eu queria que ele ocupasse. Era como se a energia dele, aquela força silenciosa e constante, ainda também estivesse pulsando na atmosfera do meu lar. Um riso bobo escorreu involuntariamente dos meus lábios — um riso leve, espontâneo, um impulso adolescente que mal conseguia conter a felicidade que me invadia sem pedir licença.
Virei-me de repente, quase saltitando, tentado conter a alegria que transcorria mais rápido do que eu podia imaginar. Martina surgiu da cozinha, enxugando as mãos na toalha, e seus olhos experientes brilharam assim que me viram. Um sorriso malicioso, mas cheio de ternura, se formou no rosto dela.
— E então? — ela perguntou, a voz borbulhando com aquela insinuação que só alguém que nos conhece muito bem pode ter. — Você está com um brilho nos olhos que não