Mundo de ficçãoIniciar sessãoSessenta dias. Um contrato. Zero sentimento. Mari Salave'a transforma executivos impossíveis em líderes que o mercado respeita. Ela é boa nisso. A melhor. Quando a mãe de Gabriel Serrão a contrata às escondidas para transformar o filho no CEO que o Grupo Serrão precisa sem que ele saiba quem pagou. Mari aceita por uma razão só: o caso Serrão dobra o portfólio da sua boutique. O acordo é simples: sessenta dias, ela entrega CEO material, ele entrega a referência da sua carreira. Assinaram. Combinado. O problema é que ninguém avisou o corpo. Gabriel Serrão é inteligente demais pra qualquer script que ela prepare. Silencioso do jeito que incomoda. E toda vez que ela acha que tem ele mapeado, ele faz alguma coisa que derruba a análise inteira. O irmão quer o cargo. A imprensa está olhando. O prazo não espera. E o que começou como trabalho está ficando complicado de um jeito que não estava em nenhuma cláusula. Romance CEO · Hot Explícito · Humor · Contemporâneo Brasileiro
Ler maisPOV: MARI O apartamento da minha mãe tem um cheiro que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Não é perfume. Não é produto de limpeza. Não é comida. É a mistura de tudo isso com o ar que entra pela varanda e carrega maresia porque Ipanema fica perto o bastante do mar pra ele entrar sem pedir licença. Quatro anos em São Paulo e eu tinha esquecido que esse cheiro existia. Cheguei no sábado de manhã com uma mochila de mão e o notebook que eu não precisava ter trazido, mas trouxe mesmo assim porque ainda não sei viajar sem trabalho por perto. Minha mãe abriu a porta antes de eu bater. Ela sempre ouve o elevador chegando. Nunca soube como. Quando me viu, fez aquela cara de quem já tinha entendido alguma coisa e não ia me apertar logo de cara. — Você tá com uma cara de cansada. — Bom dia pra você também. Ela fez um barulhinho de riso pelo nariz, já pegando a alça da minha mochila. — Entra. Fiz café. Tá quentinho. — Agora não, mãe. — Agora sim. Você tá magra demais. — Não tô,
POV: MARISexta à noite eu estava fechando a boutique quando a campainha da porta tocou.Bolsa no ombro. Casaco no braço. Notebook já desligado dentro da mochila. Eu estava indo embora de verdade — chave na mão, luz do corredor já apagada, aquela sensação de fim de expediente que finalmente parece fim mesmo.Abri.Gabriel.Terno sem gravata. O primeiro botão aberto. O rosto de quem decidiu alguma coisa no caminho até ali.— Posso entrar?Deixei.Ele entrou e ficou de pé no meio da boutique com as mãos no bolso. Eu fiquei perto da porta porque, se eu fosse até a mesa, a conversa virava longa de um jeito que eu ainda não tinha decidido se queria aguentar.— Você vai embora depois que eu assinar. Na verdade você já estava indo.— Meu trabalho já está concluído.— Eu sei.O silêncio ficou entre a gente. Lá fora um carro passou devagar. A rua de Pinheiros numa sexta à noite tem um barulho diferente de quinta — mais cheia, mais leve, mais gente indo pra algum lugar sem pressa de voltar.Gab
POV: MARI Quinta-feira, na boutique, Tati chegou com um bolo. Não era aniversário de ninguém. Não era sexta, que seria o dia mais óbvio pra esse tipo de coisa. Era quinta, meio da semana, e ela entrou com uma caixa de papelão branca da confeitaria da rua de baixo e colocou em cima da mesa de reunião sem explicar nada. — Bolo de chocolate com brigadeiro — ela disse. — Porque sim. Porque sim era o jeito de Tati dizer: você fez uma coisa grande e eu não vou deixar isso passar como se fosse só mais uma quinta-feira. Eu ri pelo nariz e fui buscar pratos. Quando voltei, ela já tinha aberto a caixa e cortado o primeiro pedaço com a naturalidade de quem conhece a própria missão. O bolo estava úmido, pesado na medida certa, com aquela cobertura de brigadeiro que gruda na faca e faz você repensar qualquer pretensão de vida organizada. Comi dois pedaços. Tati comeu três. A boutique estava em modo raro. Sem urgência. Sem telefone tocando em sequência. Sem reunião atravessando o dia. Tati f
POV: GABRIELTerça cedo eu fui ao cemitério.Não avisei ninguém. Só peguei o carro e fui.Na entrada tive aquele segundo idiota de pensar em voltar. Não por medo. Por hábito. O tipo de impulso que aparece quando você faz alguma coisa que não combina com a versão de você mesmo que passou anos fingindo estabilidade.Já estava ali. Entrei.Caminhei entre as lápides sem olhar pra ninguém. Procurei o corredor da família e encontrei sem precisar pensar.Hélio Augusto Serrão. 1955–2023.Parecia menor do que devia. Talvez porque nome em pedra sempre encolhe coisa demais.Tinha uma flor encostada na lateral. Fresca, não de hoje mas de poucos dias. Rosa. Aquele rosa específico que minha mãe planta no jardim de Higienópolis e chama de rosa-antigo.Ela vem toda semana.Eu sabia disso e nunca tinha parado pra pensar no que isso significava. Não na prática. Não no corpo. Toda semana. Mesmo sem ninguém pedir. Mesmo sem ninguém agradecer.Fiquei de pé na frente da lápide. Passei o polegar na lateral





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