A tarde se estendia mansa sobre a fazenda, daquelas que parecem não ter pressa de terminar. O sol já não queimava; apenas aquecia. Clara dormia no colo de Isabella, pesada de sono bom, com a respiração miúda marcando o ritmo do tempo.
Isabella estava sentada à mesa da cozinha, os pés descalços no chão frio, uma caneca de chá esquecida entre as mãos. Observava a filha como quem observa um milagre cotidiano — desses que não fazem alarde, mas transformam tudo por dentro.
Dona Lourdes tricotava perto da janela, os óculos escorregando levemente pelo nariz, os dedos experientes seguindo um desenho que já conheciam de memória. O som das agulhas era quase um sussurro, preenchendo os espaços vazios com algo confortável.
— Engraçado… — Isabella disse, quebrando o silêncio — Eu sempre achei que ia ter medo de ser mãe.
Dona Lourdes ergueu os olhos, atenta, mas não interrompeu o tricô.
— E teve?
Isabella pensou antes de responder.
— Tenho. — disse, sincera — Mas é diferente do que eu imaginava, nã