Mundo de ficçãoIniciar sessãoMelissa tinha apenas dezoito anos quando se apaixonou perdidamente por Hudson Theodore. Romântica, amante da leitura e dona de uma beleza clássica, ela sabia que aquele amor era impossível: Hudson era doze anos mais velho, milionário… além de noivo de Violet, sua irmã mais velha. Uma mulher bela, sofisticada e sempre acostumada a ser o centro das atenções. Órfãs e criadas pelos avós, as duas pertenciam a uma família classe média, o que fez com que o noivo logo assumisse financeiramente os avós. O casamento estava marcado, até que uma tragédia muda tudo: um grave acidente de esqui deixa Hudson completamente cego. Recluso em sua mansão em uma ilha particular, Hudson se isola do mundo, enquanto Violet se afasta pouco a pouco. Incapaz de imaginar uma vida ao lado de um homem agora limitado, ela rompe o noivado por carta e parte para uma longa viagem. Mas Hudson jamais recebe tal carta. Movida por amor, compaixão e pelo medo de ver os avós desamparados, Virginia toma uma decisão desesperada: intercepta a carta e vai ao encontro dele fingindo ser Violet. Na ilha, como os empregados atuais não conheciam a verdadeira noiva, a farsa parece possível. Assim, ela se casa com o homem que sempre amou, consciente de que vive uma mentira perigosa. Entre noites intensas e sentimentos cada vez mais profundos, Hudson começa a desconfiar que aquela mulher não é quem diz ser, mas é exatamente quem ele precisava. Quando Violet retorna inesperadamente e revela a verdade, Virginia foge humilhada e de coração partido. Longe dele, descobre que está grávida. Enquanto isso, Hudson percebe tarde demais que nunca amou Violet e que se apaixonou pela falsa noiva. Decidido a não perdê-la, ele deixa a ilha para reencontrar Melissa e lutar pelo amor que nasceu do engano, mas se tornou verdadeiro.
Ler maisMelissa tinha apenas dezoito anos quando viu Hudson Theodore pela primeira vez…
e naquele exato instante, soube que nunca mais seria a mesma. O seu cérebro pensou de imediato:“Que homem belo e másculo! Parece um deus grego. A minha irmã é realmente sortuda.”
Ele havia acabado de chegar e estava parado na sala de estar da casa dos avós, alto, bonito, moreno, cabelos pretos bem cortados, olhos escuros, rosto comprido, barba bem feita, de aparência elegante, vestindo um terno italiano escuro que contrastava com a simplicidade do ambiente. Conversava com os idosos com educação e segurança, como um homem acostumado a ser ouvido. Sua voz era firme, madura, masculina demais para alguém que acabara de entrar na vida de Melissa como um futuro membro da família.
— Este é Hudson, meu noivo — anunciou Violet, com um sorriso orgulhoso, segurando-lhe o braço de forma possessiva como quem exibe um troféu.
Melissa sentiu o coração falhar. Hudson Theodore.
O nome ecoou em sua mente como um sussurro proibido. Sua irmã havia avisado que traria uma visita especial, mas não que se tratava do seu futuro marido. Ela permaneceu alguns passos atrás, quase escondida, como sempre fazia. Violet ocupava naturalmente todos os espaços. Era bela de um jeito moderno, segura de si, sofisticada, dona de uma presença que chamava atenção sem esforço. Usava um vestido que lhe combinava com o seu estilo de mulher sofisticada, cabelos perfeitamente arrumados e costumava falar com desenvoltura sobre viagens, festas e projetos.Melissa, por outro lado, usava um vestido simples, claro, num estilo romântico, pois assim era o seu estilo. Os cabelos loiros estavam presos de forma discreta numa espécie de rabo de cavalo e ela segurava um livro contra o peito, como se fosse um escudo. Era bonita, sim, mas de uma beleza discreta, clássica, quase invisível diante do brilho da irmã.
— E você deve ser a caçula — disse Hudson, virando-se finalmente para ela.
Os olhos dele encontraram os seus. Melissa sentiu o rosto corar, o estômago revirar, o coração bater rápido demais. Nunca havia experimentado aquela sensação estranha e avassaladora, como se algo dentro dela tivesse sido despertado sem aviso.
— M-Melissa — respondeu baixinho, quase num sussurro.
Hudson sorriu. Um sorriso simples, gentil… mas que, para ela, pareceu capaz de desmontar tudo o que conhecia sobre si mesma. Agradeceu mentalmente por ele não ter ser referido a ela como a irmã temporã da sua noiva. Uma referência da qual ela não gostava, mas era sim dez anos mais nova que Violet.
— É um prazer conhecê-la. — Ele estendeu a mão.
Melissa hesitou por um segundo antes de tocá-la.O contato foi rápido, correto, inocente… era nítido que era não estava enxergando a mulher e sim a irmãzinha da sua futura esposa. Contudo, foi o suficiente para que ela sentisse um calor estranho subir-lhe pelos dedos e se espalhar pelo corpo inteiro. Hudson não percebeu. Violet não percebeu. Ninguém percebeu, exceto ela.
A partir daquele instante, Melissa passou a observá-lo em silêncio. Observou como Hudson falava com os avós com respeito, como se preocupava em saber se estavam confortáveis, como se oferecia para ajudar, como se interessava genuinamente pela família que estava prestes a integrar. Era um homem de trinta anos, doze anos mais velho que ela, bem-sucedido, milionário… e, ainda assim, surpreendentemente gentil.
Em determinado momento, ele se aproximou dela novamente
— Gosta de ler? — perguntou, apontando para o livro em seus braços.
— Muito...Melissa assentiu, tímida.
— A Dama das Camélias? — ele arriscou, notando o título.
Os olhos dela brilharam pela primeira vez.
— Sim gosto também dos clássicos. Sonho em cursar Letras e um dia lecionar literatura.
— A minha irmãzinha é uma sonhadora. Sonha em salvar o mundo através dos livros e empunhando um giz na outra mão.
Violet surgiu por trás do noivo, interrompendo a conversa com aquele comentário desagradável. Ainda assim Hudson, disfarçou o mal-estar causado pelo comentário, inclinou levemente a cabeça, interessado e lhe falou. Violet se afastou e ele continuou a dá um ultimo conselho a jovem.
— Sonhos são importantes — disse ele, num tom sério. — Nunca deixe ninguém fazê-la desistir deles.
— Obrigada. Lembrei disso sempre. — Melissa agradeceu com um sorriso tímido.
Aquela frase ficou gravada em sua alma. Pouco depois, Violet o chamou mais uma vez, desta vez impaciente, e Hudson se afastou para atender a noiva. Melissa ficou ali, parada, sentindo-se tola por ter acreditado, ainda que por um instante, que aquele homem pudesse vê-la além de “a irmã caçula”. Ele era o noivo de Violet.O futuro marido de outra mulher. Seu futuro cunhado. Além de pior ainda… o homem que Melissa começava a amar.
Naquela noite, após o jantar, quanto todos já haviam se recolhido, sozinha em seu quarto, Melissa encarou o teto por longos minutos, tentando conter um sentimento que sabia não ter o direito de sentir. Não era paixão passageira, nem admiração juvenil. Era algo mais profundo, silencioso e doloroso. Ela o amava… e jamais poderia tê-lo.
“Senhor... não é possível que eu esteja apaixonada pelo noivo da minha irmã! Seu futuro marido e meu futuro cunhado...”
Então, com o coração apertado, prometeu a si mesma que guardaria aquele amor em segredo, como um pecado íntimo, destinado a nunca ser revelado. Mal sabia ela que o destino, implacável e irônico, ainda faria com que seus caminhos se cruzassem de uma forma que ela jamais poderia imaginar. E que aquele amor impossível… estava longe de ser apenas um sonho condenado ao fracasso.
Melissa acordou devagar, como se o corpo ainda não tivesse certeza se queria despertar por completo. A luz suave da manhã atravessava as cortinas claras, desenhando faixas douradas sobre a cama. Por alguns segundos, permaneceu imóvel, apenas respirando, sentindo o peso agradável dos lençóis e o silêncio do quarto. Então, a lembrança do dia anterior veio inteira: O casamento; a noite de núpcias adiada; o pedido por tempo e assim seu coração acelerou. Ela virou o rosto instintivamente para o outro lado da cama… e encontrou o espaço vazio. O travesseiro ao lado estava frio. Hudson não estava ali. Um misto de alívio e desconforto atravessou-lhe o peito. — Ele já saiu… — murmurou para si mesma. Sentou-se devagar, puxando o lençol até o colo. O quarto estava organizado, impecável, como se ninguém tivesse dormido ali. Apenas a leve marca no outro travesseiro denunciava que ele realmente estivera ao seu lado horas antes. Melissa passou a mão pelo rosto e respirou fundo. Nada
Melissa acordou devagar, como se o corpo ainda não tivesse certeza se queria despertar por completo. A luz suave da manhã atravessava as cortinas claras, desenhando faixas douradas sobre a cama. Por alguns segundos, permaneceu imóvel, apenas respirando, sentindo o peso agradável dos lençóis e o silêncio do quarto. Então, a lembrança do dia anterior veio inteira: O casamento; a noite de núpcias fracassada; o pedido por tempo e assim seu coração acelerou. Ela virou o rosto instintivamente para o outro lado da cama… e encontrou o espaço vazio. O travesseiro ao lado estava frio. Hudson não estava ali. Um misto de alívio e desconforto atravessou-lhe o peito. — Ele já saiu… — murmurou para si mesma. Sentou-se devagar, puxando o lençol até o colo. O quarto estava organizado, impecável, como se ninguém tivesse dormido ali. Apenas a leve marca no outro travesseiro denunciava que ele realmente estivera ao seu lado horas antes. Melissa passou a mão pelo rosto e respirou fundo. Na
O quarto estava envolto em uma penumbra suave quando Hudson atravessou a soleira com Melissa nos braços. O ambiente exalava elegância: cortinas claras, móveis em tons neutros, uma cama ampla coberta por lençóis impecavelmente brancos. Havia flores discretas sobre uma pequena mesa lateral e o som distante do mar chegava abafado, quase como um sussurro. Melissa nunca tinha entrado ali, desde que chegou a ilha. — Bem-vinda ao nosso quarto, querida. — Hudson falou mostrando o seu lado gentil do passado. “Nossa quarto...“— A jovem pensou com o coração acelerado. Hudson fechou a porta com o pé, sem pressa, e caminhou alguns passos até a cama. Pois ele sabia exatamente a posição de cada móvel do ambiente. Então, depositou Melissa com cuidado extremo, como se ela fosse algo precioso demais para ser tratado com descuido. Ela sentiu o colchão ceder sob seu corpo e, por um instante, teve a sensação de que o mundo havia parado ali. Ele permaneceu em pé diante dela por algu
A cerimônia aconteceu numa manhã clara. O céu estava de um azul límpido, o mar calmo, refletindo a luz do sol com suavidade. Um pequeno altar foi armado no jardim da mansão, algumas cadeiras para as poucas pessoas presentes, todos funcionários da mansão, dispostas em fileiras e deixando um caminho na grama para a noiva caminhar até o altar. Não havia vento forte, nem ruídos além do murmúrio distante das ondas. Tudo parecia suspenso no tempo. Hudson fizera questão de algo simples e Melissa adorou a ideia, pois combinava mais com sua personalidade discreta, o oposto da sua irmã. Nada de convidados numerosos, nada de ostentação. Apenas o essencial. Apenas o necessário. Como se aquele casamento fosse um acordo íntimo… entre ele, ela e o destino que os empurrara até ali. “Ele está no altar a minha espera... como está lindo e como sonhei com este dia. Mas, como aproveitá-lo sem sentir-me uma impostora ou me preocupar com o que virá mais tarde... Será que ele perceberá a minha i
O restante do dia transcorreu em um ritmo estranho para Melissa. Hudson parecia satisfeito com sua presença, ela sentia isso nos pequenos gestos, na forma como ele a chamava para acompanhá-lo, no fato de não a dispensar em momento algum. Ainda assim, algo essencial havia mudado. Ele já não era o homem gentil, acessível e naturalmente afetuoso que ela lembrava vagamente dos encontros esporádicos no passado. Havia nele uma firmeza nova. Um controle quase rígido sobre cada gesto, cada palavra. Hudson não reclamava. Não se explicava. Apenas conduzia. Sendo que isso, de certa forma, a intimidava. “Ele parece ter mudado um pouco, mas ainda assim o amo. Afinal o golpe do destino que ele foi obrigado a carregar é muito forte.” Após o café da manhã à beira da piscina, ele passou boa parte da manhã envolvido em ligações e assuntos de trabalho. Mesmo sem enxergar, comandava reuniões com precisão impressionante. A voz segura, firme, sem hesitação. Melissa o observava à distância, sentada
Melissa passou a noite praticamente em claro. Deitada na cama ampla do quarto de hóspedes, escutava o som constante do mar, o vento batendo suavemente nas janelas e o silêncio profundo da mansão adormecida. Cada ruído parecia lembrá-la de onde estava… e de quem fingia ser. O nome da irmã pesava como uma sombra permanente sobre seus pensamentos. A cena da noite anterior voltava à sua mente com insistência: o jantar, a dança lenta, o pedido direto de Hudson e o modo como ele aceitara sua recusa, sem discutir, sem pressionar… mas também sem esconder completamente a decepção. “Ele esperava mais e isso ficou bem claro...” — Ela pensou. Quando o céu começou a clarear, Melissa levantou-se devagar. Tomou um banho demorado, como se a água pudesse lavar a culpa que lhe escorria pela alma. Vestiu-se com cuidado, escolhendo roupas claras, simples, discretas. Não queria chamar atenção. Não queria errar. Antes de sair do quarto, aproximou-se da janela… e então parou. — Nos





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