Seis meses mudam muita coisa quando o tempo deixa de ser inimigo e passa a ser aliado. A fazenda seguia firme, mesmo com as marcas inevitáveis do clima e das estações. O pasto não era mais o mesmo de antes, mas havia aprendizado nos cortes, estratégia nos silêncios da terra. Isabella aprendera a ler os sinais com mais precisão: o céu que fechava cedo demais, o vento que mudava de direção, o comportamento do gado antes da chuva que não vinha e, ainda assim, havia vida pulsando em tudo.
Clara agora ria com facilidade. Um riso aberto, quase surpreendido, como se o mundo fosse melhor do que ela esperava. Isabella passava horas com a filha no colo, caminhando pela casa, falando baixo, contando histórias que Clara ainda não entendia — mas sentia. Histórias da fazenda, do avô, de como algumas raízes crescem invisíveis antes de romper o chão. Rafael estava diferente. Não distante — diferente.
A música voltara a ocupar espaço, não como fuga, mas como extensão da vida que ele construíra ali. Os