Narrado por Leonid Raskolnikov
As paredes do hospital tinham cheiro de desespero. Um branco frio, impessoal, que não conseguia silenciar os gritos dentro de mim. Eu a via ali, imóvel, frágil como se fosse feita de cristal — não o tipo de fragilidade que sempre temi, mas aquela que nasce depois da guerra, quando o corpo sobrevive, mas a alma não sabe se deve voltar.
Meu nome foi chamado por um sussurro que ninguém mais ouviu. Mas eu escutei.
Escutei com o peito, com os ossos, com os pedaços de m