Narrado por Zalea Baranov
A madrugada se enroscava em minha pele como serpente fria, mas os braços de Leonid eram muralha e refúgio. Encaixei-me contra o peito dele como quem se lança ao abismo e, por ironia, encontra chão. O coração dele batia como uma promessa antiga, uma prece silenciosa que tentava costurar os meus cacos com o compasso de uma paz que eu não conhecia. E, ainda assim, o medo sussurrava. Sempre sussurra. Como uma lembrança que se recusa a morrer.
Por que ele não veio antes?
Po