A divisão não começou com um confronto.
Começou com pequenos desalinhamentos quase imperceptíveis, como rachaduras finas em uma estrutura que, à primeira vista, ainda parecia sólida. Lyria reconheceu o sinal assim que entrou na sala principal naquela manhã. Os corpos estavam ali, mas as presenças não.
Havia olhares que se desviavam cedo demais. Conversas interrompidas quando ela se aproximava. Um excesso de formalidade onde antes existia fluidez. A lealdade não havia desaparecido — ela estava sendo testada.
— Eles estão inseguros — murmurou a mulher mais velha ao seu lado, enquanto caminhavam juntas pelo corredor envidraçado. — Não contra você. Contra o custo de permanecer.
Lyria não respondeu de imediato. Observava. Sempre acreditara que liderar não era controlar pessoas, mas compreender o momento exato em que elas começam a medir riscos individuais em vez de projetos coletivos.
A divisão interna nunca surge por discordância ideológica real. Surge quando o medo começa a competir com