Toda estratégia falha quando esquece que pessoas não são peças.
E toda grande virada acontece quando alguém ousa ser exatamente isso: humano demais para ser previsto.
Lyria sabia que o sistema externo aguardava um erro lógico, uma resposta excessiva, um movimento que pudesse ser lido como autoritário. O que eles não previam era que o próximo avanço não viria de uma manobra política — mas de uma decisão profundamente pessoal.
Ela passou a manhã inteira em silêncio operacional. Nenhuma reunião, nenhuma resposta pública, nenhum gesto que pudesse ser interpretado como reação emocional. Isso, por si só, já inquietava quem observava de fora. O sistema acostuma-se a líderes que se defendem ruidosamente quando pressionados.
O silêncio estratégico é sempre mais ameaçador.
No meio da tarde, Lyria pediu apenas um nome.
— Tragam-na.
O pedido percorreu corredores, canais criptografados e olhares surpresos. Muitos sabiam de quem se tratava. Poucos entendiam por quê.
A mulher entrou na sala com pass