O mundo do lado de fora estava silencioso.
Silêncio de medo.
Silêncio de antes da tempestade.
Kael segurava Lyria pelos ombros, como se pudesse impedir o inevitável com força física.
Elyon segurava a mão dela, firme, mesmo enquanto ela tremia como se fosse explodir por dentro.
A Filha Perdida recuava, os olhos arregalados.
“Ele está tentando romper a consciência dela…”
A mãe de Lyria chorava, repetindo o nome da filha como uma oração.
Kael engoliu seco.
Elyon apertou a mandíbula.
Lyria estava parada.
Mas não parecia presente.
Os olhos dela estavam fixos em nada.
Absolutamente nada.
Kael respirou fundo.
— Princesa…
— Olha pra mim…
— Olha pra nós…
Mas ela não piscou.
Elyon tentou sacudir o braço dela.
— LYRIA!
Vem pra cá!
Vem pra gente!
Nada.
A Filha Perdida sussurrou:
“Valeth está tomando ela por dentro…”
E então…
O corpo de Lyria se arqueou.
Uma dor silenciosa atravessou todo o corpo dela como lâmina quente.
E quando ela abriu a boca para gritar —
Nada saiu.
Nem som.
Nem ar.