O clarão não apagou o mundo.
Ele devorou o mundo.
A luz que explodiu do choque entre Lyria e Valeth atravessou o céu, rasgou as montanhas, rompeu o solo, puxou tudo para dentro de um ponto central —
como se o universo estivesse tentando voltar para o instante antes do nascimento.
Kael caiu de costas, rolando na neve que desaparecia sob ele.
Elyon foi jogado metros para trás, a pele queimando, o corpo tremendo.
A Filha Perdida ergueu o véu — inútil.
A mãe de Lyria gritou o nome da filha até perder a voz.
E, no epicentro da explosão…
Lyria desapareceu.
Não havia corpo.
Não havia luz.
Não havia sombra.
Havia vontade pairando no ar — mas tão fraca que quase sumia.
Kael foi o primeiro a tentar se levantar.
Ele cambaleou, os olhos ardendo de fumaça e lágrimas, o coração batendo como se tentasse sair do peito.
— LYRIA!
— PRINCESA!
— RESPONDE!
Nada.
Elyon se arrastou pelo chão, com a mão sangrando, tentando enxergar através do clarão residual.
— Lyria…
— Onde você está…?
— Fala comig