A primeira coisa que voltou não foi o ar.
Foi a dor.
Uma dor tão profunda que parecia vir de três direções ao mesmo tempo — porque vinha mesmo.
Lyria inspirou como quem volta da morte.
O corpo dela arqueou, a luz prateada tremendo sob a pele, e no mesmo instante dois gemidos ecoaram com o dela:
— Ah—!
— Porra—!
Kael segurou o peito, o corpo inteiro estremecendo.
Elyon caiu para frente, uma mão na garganta, outra no chão, como se estivesse tentando segurar o mundo.
Eles sentiram a dor dela.
Literalmente.
A Terra Entre Mundos reagiu como se fosse um animal ferido.
O céu abriu rachaduras douradas.
Os pilares derreteram como cera.
A neve se partiu em padrões esquisitos, como veias de luz.
Kael foi o primeiro a tentar falar:
— Lyria…
Lyria, eu tô aqui…
me escuta…
Ele segurou o rosto dela com uma delicadeza que contrariava a força que estava usando para não colapsar.
Elyon se levantou com dificuldade, ainda apoiando as mãos no chão.
— Você sente isso?
É ela.
É tudo dela ao mesmo temp