A névoa se arrastava pelo vale como dedos espectrais. O vento soprava do leste, carregando murmúrios antigos, vozes que só os lobos conseguiam ouvir. Lia caminhava na floresta com os pés descalços, seguindo o sussurro que dançava entre as árvores. Algo a chamava. Não era um perigo, mas uma convocação.
Ela havia acordado naquela manhã com um zumbido nos ossos, um arrepio sob a pele que não era frio, mas um chamado ancestral. Helena reconheceu o sinal, e apenas disse:
— Chegou a hora de ouvir os