Mundo de ficçãoIniciar sessão"Você quer quê eu faça o quê?" eu indago incrédula. Ele abre um sorriso de canto e seus olhos lupinos lançam sobre mim um olhar lascivo. "Se apaixone por mim e eu te liberto, peixinho" ele repete a condição como se fosse uma melodia suave. Nego com a cabeça sem acreditar que é esse o desejo que ele me fez. "É impossível. Nós sereias não nos apaixonamos por terras-firmes como você. É impossível." Respondo com nervosismo na voz. "Deseje outra coisa." Ele cruza os braços na frente do corpo e sua expressão sugere humor. "Se apaixone por mim ou então trabalhe para mim. Cante em meu bar todas as músicas já criadas por nós, como você nos chamou? Terra-firmes? E quando você cantar a última música criada, eu lhe entrego sua cauda de sereia de volta." Todos na costa sul conhecem o alfa Romeu, o lycan sedutor, poderoso e amaldiçoado. Um segredo vive nas sombras de seus olhos azulados. Todos... menos Vanessa. Ela é uma sereia de 118 anos, recém-fugitiva de um casamento arranjado com um tritão dominador. Trocar o oceano pelo mundo humano parecia liberdade, até que ela perdeu sua cauda. E Romeu a encontrou. Agora, Vanessa está presa. Não por correntes, mas por um acordo. Sem a cauda, sem poder, e cercada por alcateias famintas pelo que ela representa: uma criatura mágica, rara e cobiçada. Com Romeu ditando as regras do jogo, Vanessa terá que escolher: entregar o coração... ou a voz. Mas nenhuma sereia ama um predador. Certo?
Ler maisPrecisa ser agora, enquanto todos estão dormindo. Não posso me casar com aquele sanguinário e selvagem tritão Maik, não importa o que a minha família fale. Minha liberdade e meu coração pertencem a mim.
Nado por entre as fendas de nossa casa, tentando emitir o mínimo de som possível com a minha cauda. Meus pais e minhas irmãs estão dormindo em seus devidos quartos e gostaria de poder me despedir deles, porém sei que iriam me aprisionar só para terem certeza de que a aliança entre os dois reinos será feita.
Assim que saio de casa, sinto um aperto em meu coração. Continuo nadando sem ter coragem de olhar para trás. O único lugar em que estarei a salvo desse casamento é na superfície, onde os terras-firmes vivem.
Se o que a minha bisavó contou for real, eu tenho como me tornar humana como eles e assim, nenhum tritão ou sereia poderá me localizar. Com isso em mente, eu continuo nadando, subindo e indo cada vez mais perto da costa, em direção ao que sempre me foi proibido.
Assim que chego na superfície, vejo a praia não muito longe. O sol está nascendo e a neblina está espessa. Olho para a costa e vejo estruturas que eles chamam de casa.
Não sei tanto sobre a cultura dos terras-firmes. Papai e mamãe dizem que são cruéis e sanguinários, sempre à procura de territórios e brigam por qualquer coisa. Não é tão diferente de nós aquáticos na minha visão. Já tivemos tantas guerras pelo domínio vasto do oceano, por recursos mágicos que a deusa da água nos dá.
Nado mais perto da praia, averiguando se não há terras-firmes por perto. Preciso me transformar e esconder a minha cauda em um local impossível de ser encontrada por eles. Se a minha cauda for descoberta, o terras-firmes que a encontrar irá me prender a ele e serei obrigada a realizar seus desejos. Não poderei voltar a ser sereia até que ele me devolva ou que eu a encontre. Em todas as histórias de sereias que escolheram se transformar em terras-firmes e tiveram suas caudas descobertas e escondidas, nunca voltaram para o oceano. Todas morreram escravas dos seus carcereiros.
Só de lembrar dessas histórias que minha bisavó contava, sinto minhas escamas ficarem eriçadas. Mesmo que isso aconteça, prefiro arriscar ser prisioneira de um terra-firme do que me casar por interesses políticos.
Encontro uma área cheia de rochedos que é difícil de ter acesso se não for pelo mar, noto uma gruta escondida por entre as rochas. O melhor local para esconder minha cauda. Nado até a gruta e começo o ritual que minha bisavó me ensinou escondido.
“Espero que funcione...” digo apreensiva.
Mentalizo o encantamento que me foi ensinado. Sinto então algo mudar ao meu redor.
A água ao meu redor começa a cintilar com um brilho etéreo, me deixando impressionada. Começo a sentir um formigamento na ponta da minha cauda, algo que nunca senti antes. Minhas escamas que sempre foram em tons de azuis agora estão escurecendo e começam a se desprenderem de mim uma a uma. Mas isso não é suave, é dolorido e cada vez que o mar entra na gruta, uma dor nova me atinge, me fazendo gritar de dor.
Onde uma vez houve uma linda cauda de sereia, nadadeiras ágeis e lindas, começa a surgir pernas nuas de terras-firmes, algo grotesco ao meu entendimento. Algo mais importante muda, além da minha cauda. O meu equilíbrio. Sempre me senti parte da água, flutuando, boiando, nadando com facilidade. Agora me sinto sendo puxada para baixo, sendo obrigada a me esforçar ainda mais para me manter para cima na superfície.
O mais assustador não é essa transformação esquisita e muito dolorosa. É o vazio que sinto. Minha conexão primal com o mar está vazia, eu não sinto o que sempre senti ao ser sereia e isso me causa medo.
De repente, emergindo da água, a minha cauda agora em um formato diferente, como uma pele. Um manto azulado, pulsante e brilhoso. Pego a minha cauda e sinto a vibração da água e também da minha conexão com o oceano. Minha cauda é hipnotizante, me sinto compelida a coloca-la e voltar a ser sereia.
Resisto a essa tentação e apenas dobro a cauda como se fosse uma alga salgada e a enfio por entre as rochas que há na gruta.
“Ei, você está bem?” uma voz surge atrás de mim, me assustando.
Giro meu corpo não tão rápido quanto eu gostaria e sinto meu coração acelerar. É um terra-firme. Um macho pelo o que lembro das histórias.
O macho está com os cabelos molhados e penteados para trás, seus olhos azuis são parecidos com os corais que temos em casa, vibrantes e lindos.
“Você está ferida? Precisa de ajuda?” o macho pergunta, nadando para mais perto de mim.
Por instinto nado para trás. Ele nota a minha reação e para no meio do nado.
“Não vou machuca-la, eu ouvi gritos e pensei que alguém tivesse se machucado,” ele explica.
Então noto seu olhar descer do meu rosto para o meu corpo. Seu olhar de corais azuis ganham uma expressão diferente.
“Caralho, você está nua!” ele declara surpreso.
Olho para baixo e percebo que não ganhei apenas pernas, mas também uma nova anatomia. Meu corpo de sereia possuía escamas e guelras nas laterais do meu torso. Agora tenho essas duas coisas volumosas na frente.
“Estou perdida,” digo finalmente.
O macho me olha surpreso e solta um som pela boca que não consigo entender, mas acho engraçado.
“Posso te ajudar a sair da gruta e conseguir algumas roupas para você,” ele responde sério.
Concordo com a cabeça e permito que ele me guie para fora da gruta. Me controlo para não olhar para trás, para não mostrar a localização da minha cauda.
Nado atrás do macho com dificuldade, essas pernas são fracas e fico com falta de ar muito rápido e o gosto do oceano é ruim em minha boca. Ser uma terra-firme é horrível!
Assim que chegamos na praia, me deito na areia quase sem folego. O macho encara o meu corpo com uma expressão que já vi nos machos tritões. Esse meu novo corpo deve ser muito desejável e isso me apavora. Logo coloco minhas mãos na frente do meu corpo, tampando o que tem causado curiosidade nele.
O macho caminha mais na areia e quando volta para perto de mim, ele estende algo branco. Olho para aquilo confusa.
“Para você vestir! Está limpa,” ele diz com cautela.
Ah, roupas. Ele havia me dito que me daria roupas. Pego a roupa que ele me ofereceu e tento vesti-la, mas há tantos buracos que fico um pouco perdida.
“Aqui, deixa eu te ajudar,” o macho diz e pega a peça de roupa de volta. Ele passa a peça por minha cabeça e depois pelos meus braços. “Pronto, essa camisa é minha favorita, então não perca ela,” ele diz e uma risada escapa dos seus lábios.
“Está bem, não vou.”
Ele solta outra risada e percebo que acho o som interessante.
O macho possuiu o corpo interessante, seus ombros são largos e definidos. Percebo que ele usa roupa na parte de baixo do seu corpo, a parte de cima é interessante de olhar porque ele tem uma gravura em seu pescoço que desce até o seu ombro esquerdo. Agora que seus cabelos estão bagunçados, noto que são claros, dourados como raios de sol. Ele é um macho bonito.
“Vanessa... Vanessa... Vanessa...” ele murmura baixinho, sua voz um sussurro rouco que dança no ar, carregada de uma ternura que aperta meu coração com uma curiosidade ardente.O corpo dele se agita enquanto dorme, seus músculos tensos sob a pele bronzeada, cada gemido do nome “Vanessa” enviando uma onda de fascínio e ciúme através de mim. Quem é Vanessa? A pergunta queima em minha mente, uma mistura de intrigue e uma ponta de inveja que não consigo explicar, porque este homem, este forasteiro que o mar trouxe até mim, é como um presente divino, e a ideia de que seu coração pertença a outra faz meu peito apertar com uma emoção que não quero nomear.Meus dedos trabalham com cuidado, trocando os curativos em seu ombro, o t
Meu corpo está pesado, como se o peso do luto tivesse se instalado em meus ossos, e minhas mãos tremem, agarradas à borda da cadeira, as unhas cravando na madeira áspera enquanto tento ancorar a dor que consome meu peito.“Vamos fazer uma busca pela costa, ele tem que aparecer,” Rael diz decidido. “Romeu é o alfa, ele é imortal, ele não pode ter simplesmente morrido.”Concordo com um aceno fraco da cabeça, o movimento lento, quase automático, porque não tenho forças para falar, não depois de ter derramado cada pedaço da tragédia que testemunhei. Explicar o que aconteceu foi como reviver cada momento, cada grito, cada olhar de Romeu antes de ele se jogar do precipício, e sinto lágrimas quentes ameaçarem cair novamente, mi
Corro até o precipício, meus pés tropeçando no chão áspero. Olho para baixo, meus olhos varrendo a vastidão do abismo, mas não encontro o corpo de Romeu, nem o de Rihara, apenas a espuma branca das ondas chocando-se contra as rochas, um rugido ensurdecedor que parece zombar da minha angústia. Sinto meu corpo tremer, minhas pernas fraquejando, e caio de joelhos na borda do precipício, o chão frio e úmido sob minhas palmas, enquanto lágrimas quentes escorrem pelo meu rosto, misturando-se ao sal do ar.Romeu se foi.A constatação é como um peso esmagador, uma verdade que não consigo aceitar, e sinto meu coração se partir, uma dor tão profunda que parece engolir o mundo ao meu redor. Meu peito aperta, a respiração
Os olhos escuros da Vanessa me olham com dor porque ela sabe, ela sabe exatamente o que eu quero dizer.“Eu amo você,” digo olhando para Vanessa e depois para Rihara. “Me desculpe por ter demorado tanto para perceber isso. Deixe-a ir. Ela volta para o mar e nós dois ficamos juntos, só nós dois. O que me diz?”Estendo a minha mão para Rihara, meu braço tremendo com o esforço, não apenas pela dor lancinante que pulsa em meu ombro e abdômen, mas pelo peso esmagador do momento.Cada batida é uma súplica silenciosa para que Rihara acredite nas minhas palavras, para que ela aceite a mentira que estou tecendo com tanto cuidado, mesmo que cada sílaba seja uma traição ao amor que carrego por Vanessa. Sinto
O impacto é como um soco, e sinto meu equilíbrio vacilar, meus joelhos fraquejando enquanto tento me segurar em um tronco áspero, a casca arranhando minha palma.O som dos tiros cessa e o silêncio que se segue é pesado. Saio de trás das árvores, meus passos hesitantes, cada movimento enviando uma onda de dor lancinante pelo meu corpo.Olho em direção ao precipício, onde Maik e Vincent estão desacordados, seus corpos inertes no chão, e sinto uma pontada de alívio misturada com uma culpa que pesa em meu peito, porque Vincent, meu ômega, foi usado contra mim, e a ideia de que ele sofreu por minha causa é como uma ferida que não sangra.Rihara está de pé, segurando Vanessa pelo pescoço, seus
O desespero me consome, uma onda avassaladora que engole meu peito, como se meu coração estivesse sendo esmagado por garras invisíveis. Maik matou todos os meus homens e sinto uma dor tão profunda que parece rasgar minha alma. O encantamento dele já saiu do meu corpo, mas estou petrificado, meu corpo rígido, incapaz de se mover, enquanto o choque me mantém preso, como se o peso do que aconteceu tivesse roubado minha força.Meus olhos ardem com lágrimas que não caem, e sinto meu lobo, Soren, rosnar baixo, sua fúria misturada com uma angústia que ecoa a minha. Cada respiração é um esforço, o ar entrando em meus pulmões com um sabor amargo e sinto meu coração pulsar com uma mistura de culpa, raiva e um desespero que faz meu peito tremer.Mais Capítulos
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