Mundo ficciónIniciar sesiónNo dia de seu aniversário de 18 anos, Yaren, uma escrava mestiça de humana e lobisomem, só queria alguns dias de liberdade. Mas tudo muda quando ela cruza o caminho de um Alfa desconhecido. A atração foi imediata quando seus olhares se cruzaram. Em uma única noite, eles se entregam um ao outro, consumidos por um desejo e redenção impossível de resistir. Ao amanhecer, o peso da realidade a atingiu. Ela era uma escrava, uma serva não podia ter um companheiro. Muito menos um Alfa, e se descobrissem que ela se entregou a um Alfa, o preço seria sua poropria vida. Desesperada, Yaren foge… deixando para trás o homem que nunca deveria ter tocado. E por um ano, ela acreditou que aquele erro ficou no passado. Até o dia do noivado de sua senhora e melhor amiga, quase uma irmã. Um casamento arranjado, que selaria a união entre duas das mais poderosas alcateias. — Alfa Theron, quero apresentá-lo alguém muito especial para mim. Essa é Yaren minha Serva e melhor amiga; Yaren, esse é o Alfa Kallian Theron, meu noivo— Os olhares do Alfa e da Serva se cruzaram, e junto, voltaram as lembranças daquela Noite proibida que nunca deveria ter acontecido. "É ela... a mulher por quem tanto procurei, minha companheira"
Leer másYaren despertou sentindo o cheiro de flores silvestres, sândalo, pinheiro e um aroma selvagem misturado ao seu.
Quando abriu os olhos, viu o rosto de um homem adormecido. Seus traços faciais eram marcantes e másculos, portador de uma beleza que parecia esculpida. Seu coração disparou, surpresa, e logo as lembranças da noite anterior inundaram sua mente. Ela entrando naquele bar com o grupo de turistas, o olhar dourado e penetrante daquele homem sobre ela, a aproximação dele, a conversa sobre o balcão, os olhares, os sorrisos... e então, os lábios dele encontrando os seus. Depois disso, apenas se lembrava dos dois corpos na cama, emaranhados, se entregando um ao outro; os gemidos, os suspiros, o suor das peles se fundindo em um só até a exaustão de seus corpos. Yaren sentiu o rosto corar ao se lembrar daquela noite. Incrédula, levou a mão até a boca, encarando o homem à sua frente com o coração acelerado. "Eu... Eu realmente passei a noite com um desconhecido?" Ela baixou o olhar, encontrando seu corpo nu por baixo do lençol junto ao corpo dele, e o peso de seu braço forte e musculado sobre sua cintura, mantendo-a por perto de forma possessiva. "Eu estou louca... Eu enlouqueci!" Yaren gritou para si mesma, e no mesmo instante, sentiu uma pontada em seu ombro. Ao levar a mão até o local, sentiu a pele ainda quente, com as marcas de uma mordida profunda. A imagem dele chegando ao ápice, soltando um rosnado rouco antes de cravar as presas nela, reivindicando-a como sua, brilhou em sua mente. O corpo dela congelou enquanto encarava novamente o rosto do homem ao seu lado. Ele era um Alfa, e a tinha marcado. "Não, não, não!" Yaren entrou em pânico enquanto a realidade a atingia. Ela era uma serva, uma escrava. Era propriedade da alcateia, sem direito de ter um companheiro e, muito menos, de ser marcada por um Alfa. O pânico se tornou físico; a respiração travou e o corpo gelou. Aquele tinha sido o maior erro de sua vida e, se descoberta, poderia lhe custar a própria vida. "Eu tenho que sair daqui." Com cuidado para não acordar o Alfa, Yaren saiu do aperto do braço dele, vestiu suas roupas rapidamente e olhou uma última vez para aquele homem. Em outra altura, em outra vida, queria continuar deitada naquela cama com ele, mas naquela realidade, ficar ali significaria sua morte. Ela baixou o olhar e saiu, fechando a porta e desejando nunca mais encontrar aquele homem. Assim que voltou à estalagem dos criados ao cair da noite, no pátio da mansão principal da alcateia, Yaren foi direto para seu quarto, garantindo que ninguém a via. Ela despiu-se e mergulhou na banheira, usando todas as suas ervas aromáticas numa tentativa de tirar de si o cheiro marcante e dominante daquele Alfa de sua pele. Mas, por mais que esfregasse, por mais que permanecesse na água, o cheiro não saía; parecia impregnado debaixo de sua pele. Seus dedos tocaram a marca que ainda doía, e sua mente a levou de volta à noite anterior: os braços fortes dele envolvendo seu corpo, o olhar intenso de puro desejo, a voz rouca e ofegante perto de seu ouvido enquanto ele a reivindicava com paixão repetidas vezes. "Você é minha... minha..." Yaren apertou a marca sob sua mão, deixando as lágrimas caírem. Não entendia como pôde ser tão imprudente, como se deixou levar por ele ao ponto de ir para a cama e deixar que ele a marcasse, com aquela marca em seu corpo. Sua vida estava arruinada. Ela voltou para o quarto com o olhar partido; o cheiro daquele Alfa era tão forte e intenso que qualquer um perceberia mesmo à distância. Era questão de horas até saberem que ela fora marcada. A porta do quarto foi aberta, tirando-a de seus devaneios. Yaren rapidamente secou as lágrimas e encarou sua mãe. — Onde você esteve o dia todo? Por que não atendeu minhas ligações? — perguntou a mulher, preocupada. Mas parou no terceiro passo, sentindo algo estranho no ar. — Que cheiro é esse? Isso é... o cheiro de um Alfa? A mulher se aproximou da filha e puxou a alça do roupão, revelando a marca ainda vermelha e brilhando em um tom dourado. O olhar abismado da mais velha caiu sobre a filha, que apenas baixou o olhar, deixando as lágrimas caírem. — Me desculpe, mamãe — foi tudo o que conseguiu dizer em meio ao choro. — Você... Você foi marcada por um Alfa? Como pôde deixar algo assim acontecer? Você se entregou a um Alfa e permitiu que ele te marcasse?! Você é uma escrava, Yaren! Você pertence aos Morgan! Eles vão te matar se virem isso. Uma escrava marcada por um Alfa é uma sentença de morte! Yaren desabou em lágrimas, pedindo desculpas inúmeras vezes, a culpa e o arrependimento tomando conta dela, pois sabia que o castigo não seria somente para ela, mas também cairia sobre sua mãe por não tê-la ensinado direito. — Mãe, me desculpe, por favor, me perdoe— A mulher olhou para sua filha e suspirou. — Não saia desse quarto até eu voltar, não deixe ninguém ver ou cheirar você!— Yaren assentiu e ficou sentada na cama com o olhar baixo, apertando o ombro. Uma sensação estranha percorreu seu corpo, uma vontade de correr até aquele Alfa, se jogar nos braços dele e pedir sua ajuda e proteção. Era o vínculo que tinham selado se manifestando; ela já estava se tornando dependente dele e desejando estar ao lado dele. A porta do quarto voltou a abrir e a mãe entrou, carregando dois frascos de cerâmica com líquidos estranhos. — Beba isto — Yaren olhou para o líquido azul e encarou sua mãe, confusa. — Se esse Alfa conseguiu marcar você em uma noite apenas, deve ser um Alfa poderoso, e não duvido que a semente dele já esteja se desenvolvendo em seu ventre. Você é uma mestiça; carregar o filhote de um Alfa será visto como traição à alcateia, então, beba isso— Instintivamente, Yaren levou a mão até seu ventre, imaginando a possibilidade de ter um filhote ali, e hesitou, num instinto protetor automático. A mulher olhou para a filha e aproximou o frasco dela. — Yaren, Beba! ou você quer passar pela mesma vida miserável que eu passei?— Yaren voltou a levantar o olhar para a mãe, lembrando-se de sua história de dor e sofrimento enquanto ainda a carregava no ventre, até ser comprada como escrava. Não queria passar por aquilo, e não podia permitir que uma criança inocente passasse por aquilo. Com a mão trêmula, ela alcançou o frasco e bebeu todo o líquido amargo até o fim. A mulher voltou a se aproximar da filha com o outro frasco que continha um líquido verde doentio e borbulhante. — Esta é uma poção capaz de remover a marca de um Alfa e cortar o vínculo. No mesmo instante, a marca em seu ombro pareceu queimar e pulsar, como se soubesse o que estava para acontecer e tentasse lutar contra o rompimento. — Esta é a única forma de você sobreviver. Essa marca deve sair de você. Morda isso. Yaren mordeu o couro com toda a força e fechou os olhos. O líquido foi derramado sobre sua pele. No local onde os dentes dele haviam reivindicado sua alma horas atrás, o mundo pareceu desaparecer em uma névoa de dor e agonia. Não era apenas uma queimadura física; era como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dela, um laço invisível, ainda recente, sendo destruído à força, estraçalhando a conexão que se formava, quebrando o laço como uma corda esticada até o limite. O cheiro dele desapareceu de seu corpo gradualmente, substituído pelo cheiro de carne queimada. Yaren cravou os dedos no lençol, engolindo o grito preso em sua garganta, que parecia vir de dentro de sua alma. Ela caiu de joelhos no chão, incapaz de suportar a sensação de ter sido esvaziada e queimada por dentro. A mãe olhou para a filha jogada no chão, gemendo de dor, e sentiu seu coração apertar, mas sabia que fazia o certo; aquilo era necessário para garantir a sobrevivência dela. Yaren permaneceu deitada no chão frio, encarando o vazio enquanto as lágrimas rolaram em seu rosto. As memórias quentes da noite anterior se dissipavam como fumaça, dando lugar a um vazio frio e escuro. O toque dele, os beijos, o rosto... tudo foi ficando mais distante, até a escuridão finalmente a envolver. . . . — Alfa Theron — O Beta chamou, entrando no escritório, e olhou para figura imponente do Alfa parado de frente para Vidraça, encarando a penumbra da floresta sobre a luz do luar. — Você a encontrou? — perguntou sem se virar, com o tom carregado de urgência e impaciência. — Não, Alfa. Procurei em todas as alcateias da região, mas nenhuma mulher corresponde à descrição que o Alfa deu. O punho do Alfa atingiu o vidro reforçado, estilhaçando-o no mesmo instante. Ele se virou, e seus olhos dourados ganharam uma coloração alaranjada, sombria e perigosa. Sua voz soou como um trovão, fazendo as paredes do escritório vibrarem. — Encontre-a! Ela é a minha companheira! O meu lobo está enlouquecendo, e sinto o sangue dela chamando pelo meu! Mesmo que precise revirar cada palácio e cada favela deste mundo, encontre-a e traga-a para mim! — S-Sim, Alfa — o Beta se curvou e saiu apressado. Kallian caminhou pelo cômodo, o peito subindo e descendo com uma fúria impaciente e possessiva. Seu lobo arranhava o interior de sua mente, exigindo a fêmea que lhe pertencia de volta. — Eu preciso encontrá-la... — rosnou para o vazio, as garras cravando na madeira da mesa. — Eu preciso encontrá-la e trazê-la para o meu lado. Custe o que custar!Nos dias que se seguiram, os preparativos da cerimônia de casamento continuaram. Yaren acompanhava Leyla em tudo: verificação do salão, bufê, arranjos de flores e decoração. Leyla pedia sua opinião em absolutamente tudo, como sempre fizera em suas festas de aniversário e formatura, mas aquilo era diferente.Cada pergunta que Leyla fazia, cada detalhe em que pedia seu parecer, apenas fazia Yaren se sentir mais sufocada com toda aquela situação.Kallian tinha dito que resolveria tudo, que daria um jeito de lhe conceder a liberdade e interromper o casamento. No entanto, o evento estava a apenas algumas semanas de acontecer, e ele não havia aparecido uma única vez, limitando-se a uma mensagem e outra. Ela não perguntava por medo de parecer mesquinha e pressiona-lo, mas com os dias passando, o casamento se aproximando e Kallian longe, Yaren não pôde evitar que pensamentos depressivos começassem a tomar conta de sua mente."Ele realmente vai cancelar o casamento?""Vai desistir da aliança
A Conferência da Linhagem Soberana, o evento que reunia todos os Alfas líderes mais poderosos do mundo dos lobisomens para escolherem o próximo Alfa Rei para a próxima década.Após anos de guerras intermináveis pelo poder supremo, aquela foi a forma mais pacífica que encontraram para escolher seu líder soberano, aquele que teria o futuro e o destino de todas as outras alcateias em suas mãos. O campo de batalha havia sido substituído por mesas, onde as espadas e armas deram lugar a canetas, apertos de mão, alianças políticas estratégicas, sorrisos disfarçados e disputas veladas pelo poder.Todos os Alfas já estavam presentes no salão principal do palácio real, trocando saudações e cortesias enquanto buscavam alianças e apoio mútuo.— Alfa Kallian! — saudou um Alfa mais velho, aproximando-se do mais jovem.— Alfa Draven — Kallian respondeu à saudação, apertando a mão do outro.— Ouvi rumores de que pretende se candidatar na próxima eleição. Se o fizer, será o Alfa Rei mais jovem a assu
Yaren se remexeu na cama, despertando lentamente. Seus olhos se abriram quando a luz do sol tocou seu rosto. Ainda confusa e sonolenta, notou que estava em seu próprio quarto, o que a fez dar um sobressalto e sentar-se abruptamente na cama. Ela olhou ao redor, desnorteada.— Como... Como eu vim parar aqui? — perguntou-se em um sussurro.A última coisa de que se lembrava era de estar com Kallian e...Seus olhos se arregalaram ao recordar o último momento da noite anterior, quando as presas dele roçaram sua pele. O pânico e o desespero tomaram conta de seu corpo. Ela levou a mão trêmula à cicatriz no pescoço.— Não, não, não! Não pode ser!Yaren saltou da cama e correu para o banheiro. Parou diante do espelho e puxou a gola da camisa para examinar a pele.Apesar dos chupões que marcavam quase todo o seu corpo, não havia nenhuma marca de mordida, e nem o cheiro dele estava em seu corpo. Ela estranhou, mas logo a memória voltou: lembrou-se de Kallian carregando seu corpo quase adormecid
Yaren sentiu o tecido macio da toalha sob as suas costas. Kallian separou o beijo, apenas o suficiente para que eles se encarassem, com as respirações quentes se misturando.O silêncio ao redor era quebrado apenas pelo som descompassado de seus corações acelerados.Yaren o encarava como se não acreditasse que realmente estava vivendo aquele momento outra vez. Estar ali, sob o corpo de seu companheiro, parecia um sonho do qual acordaria a qualquer momento, mas o calor da pele dele contra a sua a fazia perceber o quanto aquilo tudo era real.Kallian apoiava o peso do corpo sobre os antebraços, cercando-a por completo e cobrindo toda a sua visão. Os olhos dourados dele brilhavam com uma necessidade que ia além do desejo físico, como se finalmente estivesse se unindo à sua outra metade após muito tempo.Ele estendeu uma das mãos, traçando uma linha lenta pela lateral do rosto dela, descendo pelo maxilar até alcançar a clavícula exposta pela camisa levemente caída. Cada toque enviava arrep





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