Mundo ficciónIniciar sesiónUma dívida, uma noiva por contrato e um bilionário arrogante? Zara só queria sobreviver ao baile da faculdade sem ser humilhada. Para isso, inventar um namorado lindo e bilionário pareceu uma ótima ideia, certo? Errado. Depois de ser dopada e perseguida no jardim do Hotel Milani, tudo o que ela queria era uma saída. Qualquer saída. Mas o homem misterioso e insuportavelmente gato que a salvou no escuro era ninguém menos do que um bilionário arrogante que, pouco depois, passa a tratá-la como uma golpista dentro da mansão do homem que pode ser seu avô. E quando ela achava que as coisas não podiam piorar... bem, elas sempre podiam. — Zara... este é Arthur. Meu afilhado e meu braço direito. E, se o acordo entre as nossas famílias ainda estiver de pé, este é o seu futuro noivo. Zara inventou um namorado para escapar dos problemas da faculdade. Agora, está cercada por problemas reais: uma família poderosa que pode ser sua, perguntas sobre o passado da mãe que nunca foram respondidas e um relacionamento por contrato com o homem mais arrogante que já cruzou seu caminho. Ela só queria o dinheiro para sobreviver e ir embora. Mas, quando antigas verdades começam a vir à tona, Zara percebe que a armadilha mais perigosa não é Arthur, é descobrir de onde realmente veio. — Talvez todo mundo tenha um preço. Mas feio não é aceitar dinheiro para sobreviver, Arthur. Feio é se render. — Então eu te pago o dobro para você ficar. E se casar comigo. Um romance cheio de reviravoltas, segredos e uma tensão impossível de ignorar. Será que um noivado decidido por duas famílias muito antes do tempo pode dar certo... quando os noivos mal conseguem confiar um no outro?
Leer más— Hey, princesa da favela. Cadê seu príncipe? Já não era para ele estar aqui?
A voz de Alícia veio de algum lugar à minha esquerda, mas eu já estava em movimento e não parei para responder. Na verdade, eu mal conseguia focar na silhueta dela, o mundo estava começando a inclinar para o lado.
— Ou ele é como o dinheiro na sua conta bancária — ela completou, e o grupo dela riu junto. — Totalmente inexistente.
Desviei de um garçom, depois de um grupo de casais, tentando manter os pés no chão. O salão nobre do Hotel Milani girava levemente, as luzes dos lustres se multiplicando nas bordas da minha visão como se alguém tivesse aumentado o brilho do mundo sem me avisar.
Uma taça. Eu tinha bebido uma taça de espumante.
Alguém batizou a minha bebida, pensei, sentindo um calafrio de puro pavor.
— Ei, estou falando com você!
Alícia apareceu ao meu lado, os saltos repicando no mármore com a cadência de quem é dona do chão que pisa.
— O dinheiro pode ser inexistente, Alícia, mas meu caráter não é comprado com o cartão do papai — respondi, chegando perto o suficiente para incomodá-la. — E não que seja da sua conta, mas ele já tá no estacionamento, entrando. Então, se eu fosse você, baixava a bola e ia se ferrar pra lá.
A mentira saiu automática. Três meses de semestre e eu já tinha um repertório inteiro sobre o namorado misterioso.
Tudo começou quando eu entendi que, para eles, eu nunca seria só uma aluna boa. Eu era a bolsista do subúrbio. A órfã. A intrusa. Alícia começou a insinuar que eu estava ali para caçar marido rico, e os garotos entraram no jogo rápido demais, como se eu devesse me sentir honrada por qualquer flerte medíocre vindo de um daqueles filhinhos de papai.
Então, antes que me transformassem em piada, eu me transformei em ameaça. Inventei um namorado. Rico, distante e importante o suficiente para fazer todos ali parecerem ridículos.
O problema era o Baile de Primavera da Santa Trindade. O evento mais importante do calendário social da faculdade, patrocinado pelas famílias que bancavam metade das obras do campus.
Eu não queria estar aqui. Eu nunca quis estar aqui. Mas a presença era esperada dos alunos do quadro de honra, e eu era a aluna número um do meu período. Talvez do curso inteiro.
Esse era o meu crime na Santa Trindade. Ser boa demais sendo de onde eu era.
O rosto da Alícia travou por um segundo com a minha resposta, ficando vermelho de puro ódio, em choque por ter sido desafiada em frente ao seu “círculo de elite”. O problema é que ela se recuperava rápido.
— Qual o nome dele? — Alícia veio rente ao meu ouvido. — Você nunca fala o nome.
— Não falo o nome pra não dar munição pra talarica. O nível dele é outro, garota, bem longe desse teu recalque.
— Sabe o que eu acho? — A voz dela ficou quase alegre. — Acho que ele não existe. Acho que você vai sair daqui humilhada quando essa noite acabar.
— Acha é? Pois pega o que você acha, enrola bem apertado e enfia no meio do seu... — soltei o palavrão sem dó, vendo o queixo de todas elas caírem.
Aproveitei o choque delas e empurrei a porta lateral com o ombro. O ar da noite me atingiu em cheio. Por um segundo, achei que fosse melhorar. Não melhorou. As palmeiras imperiais do jardim dobravam devagar e meus pés chegavam ao chão com um atraso que não deveria existir.
Então ouvi as vozes.
Dois veteranos, perto da porta de serviço, rindo baixo.
— Vai atrás dela logo — um deles disse. — A Alícia disse que é para deixar a pobretona em um quarto qualquer e tirar umas fotos para acabar com a reputação dela de vez.
Meu estômago deu um solavanco violento. Eu sabia exatamente de que tipo de fotos aqueles vermes estavam falando e o que fariam comigo antes. O pânico subiu como um ácido na minha garganta, mas o instinto de quem já viu o pior acontecer no beco falou mais alto: eu precisava sumir dali.
Enfiei-me entre as palmeiras imperiais, buscando o escuro, a parte mais densa do jardim onde os lustres do hotel não alcançavam.
— Onde ela foi? — A voz de um deles veio de algum lugar à minha direita, muito perto. — Não pode ter ido longe, tá trançando as pernas.
Corre, sua burra, corre!, eu gritava na minha cabeça, mas minhas pernas chegavam ao chão com um atraso desesperador.
Cada passo era uma luta contra o meu próprio corpo, que parecia pesar uma tonelada. Eu era a caça e o jardim tinha se tornado um labirinto mortal. Olhei para trás por cima do ombro, a visão borrada captando dois vultos se movendo rápido entre as árvores. Eles estavam ganhando terreno.
Tentei respirar fundo e senti a náusea subindo. Mas eu não tinha escolha. Então tentei dar um último gás e correr. O problema é que eu mal enxergava nada a minha frente.
Não vi o banco. Não vi a fonte. Não vi nada até bater de frente com alguma coisa sólida e quente que segurou meu peso antes que eu chegasse ao chão.
— Cuidado, Cinderela — a voz veio de cima, profunda e tranquila, cortando o meu desespero como uma lâmina fria. — A festa é lá dentro. Mas aqui fora... algo me diz que essa pode ser uma noite muito boa.
Ergui o olhar, desafiadora. E respondi, a insolência sendo minha única defesa.
— Você em um hotel desse naipe, trajado no luxo e sozinho no escuro? Não me parece a definição de noite boa. Ou você está muito entediado com esse povo lá de dentro ou está aqui na espreita esperando a próxima vítima. Qual é a sua, moço?
Ele se desencostou da grade de ferro devagar e cruzou os braços sobre o peito largo, me estudando com um olhar clínico e frio. Eu o encarei de volta, mesmo com a visão oscilando, e não pude evitar o choque.
O homem era um absurdo. O terno escuro abraçava ombros largos e definidos. O rosto tinha linhas duras, uma mandíbula marcada que parecia esculpida em granito e lábios firmes que carregavam um rastro de arrogância. Mas eram os olhos, de um verde profundo e cortante como vidro, que faziam o resto do mundo parecer cenário de papelão.
Ele exalava um perfume de sândalo, couro e poder, uma combinação que dava um nó na minha garganta e me fazia sentir que, perto dele, qualquer um daqueles filhinhos de papai do salão não passava de uma cópia barata.
— Ou é sinal de que eu não perco meu tempo com gente medíocre — ele rebateu, a voz grave vibrando no ar parado da noite. — E você? Tá perdida ou fugindo de alguma coisa? Porque você não tem cara de quem veio tomar ar.
Eu ia responder, mas o som de passos esmagando o cascalho interrompeu meu pensamento.
— Ali, ela está ali! — A voz de um dos veteranos ecoou entre as palmeiras.
— Espera, ela tá com alguém... — o outro respondeu, diminuindo o passo.
— Ah, deve estar tentando fisgar um marido rico antes do efeito da bebida derrubar ela de vez — o primeiro debochou, rindo baixo.
Minha visão borrou e o pânico virou náusea. Eu não tinha mais tempo.
— Eu tô tentando... não morrer — respondi finalmente, ignorando o protocolo e invadindo o espaço dele.
Agarrei o tecido caro do seu paletó para não cair, sentindo o calor do seu corpo sob as minhas mãos.
— Me ajuda. Eles colocaram algo na minha bebida. Se você me deixar aqui, o que vai acontecer está na sua conta.
Joguei a responsabilidade no colo dele sem dó. Ele travou, os músculos dos braços ficando rígidos. Olhou por cima da minha cabeça e viu os veteranos rindo. Vi sua mandíbula travar e o tédio ser substituído por uma raiva fria.
— Você é abusada, garota — ele disse baixo. — Sorte a sua que eu odeio covardes.
Meu corpo cedeu antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa. Mas não cheguei ao chão. Ele me pegou no colo com uma facilidade absurda e começou a caminhar de volta em direção ao hotel.
Foi quando eu ouvi a voz de Alícia. Lá atrás, pequena e incrédula pela primeira vez em toda a noite:
— Aquele é o namorado dela? Mas... é o Arthur Sartori!
— Só mencionei que estava acompanhado.Eu mal percebi quando soltei o ar, aquele tipo de respirada longa que só acontece quando você estava segurando o fôlego sem ter percebido que estava segurando.Arthur não deixou isso passar, claro.— Por que você parece tão aliviada?— Meu nome já anda na boca de muita gente sobre muita coisa — desviei, encolhendo um ombro. — Não precisava de mais essa fofoca me envolvendo.Ele ficou me olhando por um segundo. Aquele olhar que eu estava aprendendo a temer porque não parava na superfície de nada. Então, assentiu devagar.Mas eu sabia que ele não estava convencido. Havia qualquer coisa na forma como ele assentiu que dizia que ele estava guardando aquilo para depois.Tudo bem. Eu também podia guardar para depois.— Vamos almoçar — disse, me virando para a casa antes que ele pudesse continuar. — Tem peixe frito. Meu Deus, eu amo peixe frito.Assim que entramos, fui dominada por aquele cheiro de óleo quente, peixe crocante, alho dourado. O tipo de che
~ ARTHUR ~O caseiro veio nos buscar de carroça.Não era o tipo de frase que eu imaginava precisar pensar em algum momento da minha vida, mas ali estava, sentado num banco de madeira ao lado de Zara, sendo transportado por uma mula chamada Bernardete enquanto o senhor Dito — sessenta e poucos anos, chapéu de palha, expressão sorridente — conduzia com a calma de quem não tinha pressa para coisa nenhuma.— Bonita fazenda — Zara murmurou, olhando para os dois lados da estrada de terra enquanto a propriedade ia se revelando aos poucos. Pastagem, árvores antigas, um lago ao fundo brilhando contra o sol.— Fico feliz que aprove — respondi.— Não disse que aprovei. Disse que é bonita.Típico.A sede da fazenda era uma casa antiga, daquelas com varanda corrida, madeira escurecida pelo tempo e uma solidez que sugeria que tinha sobrevivido a muita coisa e pretendia sobreviver a muito mais. Dona Conceição, a esposa do caseiro, nos recebeu na porta com uma eficiência silenciosa que eu apreciei.—
O calor do capô chegava através do jeans, mas não era esse o calor que estava me incomodando.A mão dele vagava pelo meu corpo com uma lentidão calculada que parecia projetada especificamente para me tirar do sério, e eu tinha desistido de fingir que não estava funcionando. Ele estava duro contra mim, e aquilo era uma informação que meu corpo processou antes da minha cabeça, me fazendo apertar os dedos na camisa dele e puxar mais para perto numa lógica completamente própria.O beijo aprofundou. As mãos dele subiram pela minha cintura, pelos meus quadris, e quando os dedos chegaram entre as minhas coxas ele parou, encostou a boca na minha e murmurou contra os meus lábios:— Belo dia para escolher usar calça jeans.Ri antes de conseguir impedir, e ele riu junto, e por um segundo aquilo foi a coisa mais gostosa do mundo — estar ali, rindo contra a boca de alguém, sem cerimônia nenhuma.Voltamos a nos beijar.Mas em algum momento, alguma parte do meu cérebro ainda em modo prático mandou u
Acordei naquela manhã de sábado com um mal humor proporcional à quantidade de coisas que eu não tinha pedido para acontecer na minha vida recentemente.Arthur tinha aparecido na véspera, batido na minha porta com aquela postura de sempre, e me comunicado que passaríamos o final de semana na fazenda da família. Final de semana. Sozinhos.Comunicado.Como se eu não tivesse provas para estudar. Como se eu não tivesse um casamento para organizar, o que, tudo bem, dessa parte eu até ficava feliz em me afastar um pouco. Porque se eu tivesse que decidir entre gérberas e rosas de garden para o buquê, eu não respondia pelos meus atos. Mas o fato era que ele tinha decidido e estava me avisando, e aparentemente eu não tinha direito de dizer não.Então desci naquela manhã com uma mala pequena e um semblante que qualquer pessoa sensata leria como sinal de perigo.Ele estava me esperando apoiado no carro.Um Ford Maverick 1973, vermelho brilhante. Tinha rádio. Tinha banco de couro que cheirava a te





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