— Hey, princesa da favela. Cadê seu príncipe? Já não era para ele estar aqui?A voz de Alícia veio de algum lugar à minha esquerda, mas eu já estava em movimento e não parei para responder. Na verdade, eu mal conseguia focar na silhueta dela, o mundo estava começando a inclinar para o lado.— Ou ele é como o dinheiro na sua conta bancária — ela completou, e o grupo dela riu junto. — Totalmente inexistente.Desviei de um garçom, depois de um grupo de casais, tentando manter os pés no chão. O salão nobre do Hotel Milani girava levemente, as luzes dos lustres se multiplicando nas bordas da minha visão como se alguém tivesse aumentado o brilho do mundo sem me avisar.Uma taça. Eu tinha bebido uma taça de espumante.Alguém batizou a minha bebida, pensei, sentindo um calafrio de puro pavor.— Ei, estou falando com você!Alícia apareceu ao meu lado, os saltos repicando no mármore com a cadência de quem é dona do chão que pisa.— O dinheiro pode ser inexistente, Alícia, mas meu caráter não é
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