No meio da Escuridão
A madrugada tinha um silêncio estranho, pesado demais para ser natural.
O vento soprava pelas frestas da janela como se tentasse avisar de algo que ainda estava por vir.
Ana Luiza não conseguia dormir.
Sentada à beira da cama, ela observava as sombras que se estendiam pelo quarto, alongando-se nas paredes como braços invisíveis.
O coração batia forte demais, cada pulsar ecoando no peito como um tambor de alerta.
Rafael, deitado no outro quarto, também parecia inquieto.
Rafael a ouvia se revirar, os lençóis sendo amassados a cada movimento.
Eles haviam se acostumado a viver sob pressão, mas naquela noite a sensação era diferente:
Não era apenas ansiedade, era medo, um medo denso, concreto, que fazia o ar pesar.
De repente, um estalo seco ecoou do lado de fora.
Ana Luiza prendeu a respiração, os olhos fixos na porta.
O som não era de madeira rangendo, nem de vento batendo, era metálico, certeiro, como o clique de uma arma sendo preparada.
Ela levantou dev