03h17
03h17.
O relógio digital da cozinha emite um brilho azul frio, quase agressivo no escuro.
Ana Luísa está de pé há tempo demais para ainda se lembrar de quando se levantou.
O chão gelado sob os pés descalços já não incomoda.
Seu corpo entrou naquele estado estranho em que o medo não paralisa, afia.
A casa está em silêncio absoluto.
Não o silêncio habitual, mas um silêncio suspenso, como se até os insetos tivessem sido instruídos a não emitir som algum.
Ela respira devagar, contando me