A Parede que Fala
A manhã estava enevoada quando Ana e Rafael voltaram à estação ferroviária.
A garoa fina transformava a paisagem numa moldura acinzentada, apagando as cores do mundo, como se o tempo os empurrasse para dentro de outra era.
A mesma onde a verdade fora enterrada com camadas de poeira, cimento e silêncio.
Ana carregava consigo as fitas, o caderno de anotações e uma convicção que já não era mais alimentada pelo instinto, mas pela urgência de honrar os nomes esquecidos.
Rafael,