ARTHUR VASCONCELOS
A Avenida 23 de Maio, era um rio de luzes vermelhas e impaciência. Mas dentro do meu carro, o tempo havia parado. O som das buzinas lá fora era um ruído de fundo irrelevante. O único som que importava era a respiração superficial de Camila.
Eu a observei. Ela estava pressionada contra o banco de couro, com os olhos arregalados, a pele pálida sob a luz azulada dos painéis do carro e vi o medo nela. Não o medo de uma esposa pega em uma mentira trivial. Era o medo de alguém que s