ARTHUR VASCONCELOS
Quatro dias. Esse foi o tempo exato desde que o mundo acabou.
Eu não sentia mais o meu ombro. A dor da cirurgia recente, dos pontos repuxando a carne rasgada pela bala, havia se tornado um ruído de fundo.
O apartamento em Kensington havia se transformado em um centro de comando improvisado. As janelas quebradas foram tapadas com compensado, bloqueando a luz do dia. Monitores brilhavam na escuridão, lançando luz azul sobre os rostos exaustos da minha equipe.
Russo estava ao meu lado, digitando furiosamente em um laptop. Ninguém dormia. Se eu fechasse os olhos por um segundo, eu ouvia o grito de Camila.
Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer arranhar minha pele. Eu estava me desintegrando. A cada hora que passava, as estatísticas gritavam na minha cabeça. Após 48 horas, as chances de recuperação caem para 50%. Após 72 horas...
Eu não permitia que meu cérebro completasse essa frase.
Camila estava viva. Eu sabia disso. Ela era minha. E o unive