CAMILA NOGUEIRA
LONDRES – HOSPITAL ST. MARY'S
Lá fora, a chuva de Londres continuava a cair. Eu estava sentada numa poltrona desconfortável ao lado da cama, os meus olhos ardendo de exaustão e de tanto chorar, mas recusava-me a fechá-los. A minha mão segurava a de Arthur. A mão dele estava cheia de arranhões, os nós dos dedos esfolados e arroxeados pela violência com que ele lutou pela minha vida.
Ele estava pálido. Os médicos disseram que foi um colapso físico total. A perna dele, que foi machucada no acidente meses atrás e que ele forçou além do limite para subir aquela passarela, estava imobilizada novamente. O ombro direito, deslocado no impacto contra a grade com Anabela, tinha sido colocado no lugar. Arthur tinha operado no limite da adrenalina e do desespero por quatro dias seguidos, sem dormir, sem comer, movido apenas pela obsessão de nos encontrar.
Olhei para o sofá no canto do quarto.
Zoe estava lá, dormindo numa posição impossível, com a cabeça apoiada no braço do