CAMILA NOGUEIRA
O tempo perdeu o sentido na escuridão daquele furgão. Poderiam ter sido minutos ou horas. A única medida de tempo era o ritmo acelerado do meu coração e a respiração curta de Hope contra o meu peito.
Felipe estava sentado à minha frente no banco de metal do veículo em movimento, iluminado apenas pelas luzes ocasionais dos postes que passavam pelas frestas da lataria. Ele mantinha a cabeça baixa, as mãos inquietas brincando com a trava da pistola que ele claramente não sabia usar direito.
Finalmente, o veículo parou. A porta lateral correu com um rangido metálico agressivo, e o ar frio e úmido da noite invadiu o espaço, trazendo consigo o cheiro de mofo, rio e decadência industrial.
— Saiam — ordenou um dos mascarados, puxando-me pelo braço.
Tropecei para fora, protegendo a cabeça de Hope. Olhei ao redor, tentando identificar onde estávamos. Parecíamos estar nos fundos de um complexo antigo, talvez uma fábrica abandonada ou um daqueles armazéns esquecidos nas docas