ARTHUR VASCONCELOS
O mundo voltou para mim em ondas de dor aguda.
Não houve um despertar suave, nenhum momento de confusão sonolenta. Fui arrancado da inconsciência pelo bip rítmico e irritante de um monitor cardíaco e pelo cheiro penetrante de antisséptico que queimava minhas narinas. Antes mesmo de abrir os olhos, senti o ombro esquerdo pulsando, como se alguém tivesse enfiado um ferro em brasa na minha carne e o deixado lá.
Abri os olhos. A luz fluorescente do teto agrediu minhas retinas, forçando-me a piscar várias vezes.
Hospital.
O ataque. Os vidros quebrando. Homens de preto. Felipe.
E então, o grito dela.
— Camila! — O nome saiu da minha garganta como um rasgo, seco e desesperado. Tentei me sentar, mas o mundo girou violentamente, e uma mão firme me segurou no colchão.
— Senhor, não se mova. Por favor.
A voz era familiar, embora rouca e fraca. Girei a cabeça para a direita.
Russo estava sentado em uma cadeira de plástico desconfortável ao lado da cama. Havia um curati