ARTHUR VASCONCELOS
Estacionei o carro a cem metros da entrada do antigo moinho. O vento soprava forte vindo do rio, agitando a barra do meu sobretudo preto.
Verifiquei a arma no coldre nas minhas costas e a faca presa na minha perna. Respirei fundo o ar salgado e entrei no prédio.
Olhei para cima. Havia uma passarela de metal enferrujado que circulava o saguão principal, cerca de cinco metros acima do chão. E lá estavam eles.
Camila estava amarrada a uma cadeira, com uma mordaça de pano na boca. Seus olhos estavam arregalados, vermelhos de chorar, e quando me viram, o pânico neles se transformou em um desespero urgente. Ela tentou gritar, mas o som saiu abafado.
Ao lado dela, num carrinho de bebê sujo, estava Hope.
Anabela estava em pé ao lado de Camila, segurando uma taça de champanhe como se estivesse em uma galeria de arte. E Felipe estava um pouco atrás, segurando uma pistola apontada para a cabeça de Camila.
— Bem-vindo à festa! Você foi pontual. Gosto disso.
— S