Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim

Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mimPT

Fantasia
Última atualização: 2026-04-06
Sandra Rummer  concluído
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9.89
25 Avaliações
97Capítulos
10.1Kleituras
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Resumo
Índice

Um história emocionante de uma garota chamada Ana Clara Duarte, uma artista com a alma em pedaços, afogada em dívidas e à beira do despejo. Durante uma chuva intensa, o velho Fiat Uno de Ana Clara derrapa numa avenida movimentada e colide contra um SUV de luxo avaliado em uma fortuna. Desesperada, ela acredita que aquele acidente é o golpe final na sua vida já destruída. Mas tudo muda quando conhece Gabriel Rodrigo Monteiro, o homem que sai do carro atingido. CEO da poderosa Monteiro Tech, Gabriel é frio, controlador e conhecido pela postura implacável nos negócios. Rico, reservado e emocionalmente inacessível, ele parece incapaz de demonstrar qualquer sentimento. No entanto, é Leo, o pequeno filho de Gabriel, assustado após o acidente, que aproxima os dois. Sem pensar no prejuízo ou nas consequências, Ana Clara acolhe o menino nos braços e o protege. Pela primeira vez em muitos anos, Gabriel enxerga alguém capaz de oferecer ao filho carinho verdadeiro e segurança emocional. No dia seguinte, Gabriel faz uma proposta inacreditável: um casamento de conveniência por um ano. Sem amor. Sem envolvimento. Apenas um acordo. Ele precisa de uma esposa para impedir que os avós maternos de Leo consigam a guarda da criança. Ana Clara precisa desesperadamente de dinheiro para salvar a própria vida. O contrato parecia simples, mas a convivência diária transforma tudo num jogo perigoso. Entre discussões intensas, olhares demorados e uma atração impossível de controlar, Ana Clara percebe tarde demais que o maior risco daquele acordo não está nas cláusulas milionárias, mas em entregar o coração a um homem que jurou nunca mais amar.

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Capítulo 1

O Impacto

O cheiro de tinta fresca ainda impregna o ar dentro do carro, mas eu mal percebo. Está grudado em mim, nas minhas mãos, nas minhas roupas, na minha vida inteira. Azul ultramar e ocre queimado ainda mancham meus dedos, e as marcas aparecem vivas contra o volante gasto do meu velho Fiat Uno, que range discretamente sempre que faço uma curva mais fechada. Tamborilo os dedos no couro rachado, tentando controlar a ansiedade que lateja no meu peito, mas não adianta.

Nada adianta.

A tela em branco que deixei no cavalete, lá em casa, continua me perseguindo mesmo estando a quilômetros de distância. Consigo vê-la com nitidez na minha mente, aquela superfície silenciosa e quase debochada esperando uma inspiração que simplesmente se recusa a vir. Mais uma tela vazia. Mais uma promessa de dinheiro que nunca chega. Mais uma tentativa desesperada de salvar uma vida que parece escorrer pelos meus dedos.

lho rapidamente para o relógio no painel e meu estômago se revira. 17h30. A entrega dos bolos para a festa infantil deveria ter sido feita há meia hora. Meia hora. Consigo imaginar perfeitamente a cara da cliente, uma socialite conhecida por trocar fornecedores como quem troca de bolsa. Ela provavelmente já está furiosa, andando de um lado para o outro em um salão cheio de balões caros enquanto reclama no telefone sobre “a incompetência da confeiteira”. Perder esse cliente seria péssimo. Mas perdera moradia… isso seria o fim.

A palavra volta a ecoar na minha cabeça como um sino fúnebre: banco. As dívidas médicas se acumulam como montanhas impossíveis de escalar. Cada ligação do hospital parece arrancar um pedaço da minha coragem. Cada boleto é mais pesado que o anterior. O banco não quer saber de histórias tristes, de diagnósticos, de promessas ou de lágrimas. O banco quer dinheiro. E a casa que pagava todo mês direitinho há anos, a única coisa que restou do tempo em que a vida parecia estável, está prestes a desaparecer. 

Outra carta de cobrança do aluguel chega. Outra ameaça silenciosa de despejo. Aperto o volante com mais força, sentindo a tensão subir pelos meus braços.

— Eu vou dar um jeito — murmuro para mim mesma, embora não tenha a menor ideia de como.

A chuva começa a cair. Primeiro tímida, como se estivesse testando o terreno. Depois mais insistente. As gotas batem no para-brisa e transformam a rua em um borrão de luzes e reflexos. Os limpadores se movem de um lado para o outro com um rangido irritante, lutando uma batalha perdida contra a água que insiste em se acumular. Acelero um pouco mais, ignorando o limite de velocidade. Eu sei que não deveria, mas o relógio continua correndo e o pânico dentro de mim também. Minha mente está tão cheia de pensamentos que o mundo ao redor parece desaparecer. Penso na conta do hospital. Penso na carta do banco e então tudo acontece rápido demais.

Eu não vejo o semáforo mudar para vermelho. Não vejo o carro parar à minha frente. Não vejo absolutamente nada. Eu só sinto. O impacto explode no ar com um baque seco que faz meu corpo ser empurrado violentamente contra o cinto de segurança. Metal contra metal. Um rangido horrível, como se o mundo estivesse sendo amassado junto com os carros. O Fiat treme inteiro antes de finalmente parar. Por um segundo que parece durar uma eternidade, fico ali parada, tentando entender o que aconteceu.

O silêncio que se segue é estranho. Pesado. Irreal. A chuva continua caindo, agora mais forte, batendo no teto do carro como pequenos martelos. Meu coração dispara tão rápido que sinto o pulso latejar na garganta. Pisco algumas vezes, tentando focar a visão. Olho para frente e vejo a traseira de um SUV preto brilhante. Luxuoso. Caríssimo. E agora com um amassado claro bem no meio.

— Não… — sussurro, levando a mão à testa. — Não, não, não…

Desligo o motor e abro a porta com as mãos tremendo. A chuva fria me atinge imediatamente quando saio do carro. O ar cheira a asfalto molhado, borracha queimada e metal quente. Dou alguns passos até o SUV, já imaginando o tamanho do prejuízo que eu causei. E então a porta do motorista se abre.

O homem que sai parece ter sido desenhado para capas de revista. Alto, postura impecável, terno cinza-chumbo perfeitamente ajustado ao corpo. Os cabelos escuros estão penteados com precisão e o olhar é frio, calculista. Eu reconheço aquele rosto imediatamente, mesmo na chuva. Gabriel Rodrigo Monteiro. O CEO da Monteiro Tech. O tipo de homem que aparece em revistas de negócios falando sobre bilhões e estratégias globais. O tipo de homem que definitivamente não deveria estar sendo atingido pelo meu Fiat Uno velho.

Ele olha primeiro para o carro. Depois para mim.

— Você está bem?

A voz dele é grave, controlada, mas distante, como se estivesse avaliando um problema corporativo em vez de um acidente.

Cruzo os braços, sentindo a irritação subir.

— Eu estou ótima, obrigada por perguntar. Já o seu carro… parece que ele teve um dia ruim.

Ele ignora completamente meu comentário e passa a mão pelo metal amassado. A testa se franze.

— Isso vai custar caro.

Meu estômago afunda.

— Muito caro.

— Eu sinto muito — digo, tentando recuperar um pouco da dignidade. — Eu estava distraída…

— Distraída?

Ele se vira para mim com um olhar afiado.

— Senhorita, dirigir distraída não é desculpa. É irresponsabilidade.

Sinto o sangue ferver.

— Eu sei o que eu fiz! Não preciso de sermão!

— Poderia ter causado algo muito pior.

— Eu tenho problemas, ok?! Problemas de verdade!

Ele ergue uma sobrancelha.

— Todos nós temos problemas. Isso não nos dá o direito de colocar outras pessoas em risco.

A discussão começa a esquentar, cada frase mais afiada que a anterior. A chuva aumenta, mas nenhum de nós parece notar. O mundo ao redor desaparece, reduzido apenas a dois estranhos irritados no meio da rua.

Até que uma pequena porta no banco traseiro do SUV se abre.

Um menino sai do carro. Cabelos castanhos claros, olhos verdes enormes e curiosos, usando um casaco de chuva amarelo que parece brilhar no meio daquele cenário cinza.

— Papai? O que aconteceu?

Sua voz é pequena, assustada. Ele dá um passo, tropeça em uma poça d'água e cai, raspando o joelho no asfalto molhado. Um pequeno gemido escapa de seus lábios.

Eu não penso. Meu instinto, adormecido sob camadas de preocupação e desespero, acorda com um sobressalto. Corro até o menino, ajoelhando-me ao lado dele.

— Oh, meu amor, você está bem? 

Minha voz é suave, cheia de carinho, um contraste gritante com o tom que eu usava com Gabriel. 

—Ei, calma… deixa eu ver. 

Examino o joelho do garotinho, que já começa a avermelhar.

— Não foi nada, um pequeno arranhão. Vamos limpar isso.

Tiro um lenço de papel do bolso, um que eu uso para limpar meus pincéis, e gentilmente o pressiono contra o joelho do menino.

— Você é um garoto muito corajoso, sabia?

Sorrio, um sorriso genuíno que ilumina meu rosto, e o garoto que estava prestes a chorar, solta uma risadinha.

— Eu sou?

Ele pergunta, os olhos brilhando.

—Sim. Os mais corajosos são os que levantam rápido.

Sinto um olhar pesado sobre mim. Levanto a cabeça e encontro Gabriel parado, a poucos centímetros de distância. Ele não diz nada por um momento. Sua expressão é indecifrável, uma máscara de gelo que parece ter sofrido uma rachadura imperceptível enquanto me via com o filho. Mas a rachadura se fecha rápido demais. Ele estende a mão para Leo, ajudando-o a se levantar, mas seus olhos permanecem fixos nos meus.

— Leo, entre no carro agora.

A voz dele sai mais baixa, mas ainda com aquele tom de comando que me irrita. O menino obedece, lançando-me um último olhar curioso antes de desaparecer atrás da porta pesada. Gabriel se vira para mim, a postura rígida, a chuva escorrendo pelo seu rosto sem que ele sequer pisque.

— Você tem um jeito interessante com crianças, senhorita...

Ele faz uma pausa, esperando que eu complete.

— Ana Clara — digo e limpo a água das minhas mãos na saia já encharcada.

— Pois bem, Ana Clara. Eu não sou um homem que aceita prejuízos por incompetência alheia. Você foi inconsequente. Atravessou um sinal vermelho e destruiu a traseira de um carro que vale mais do que esse seu... — ele olha para o meu Uno com um desdém que me faz querer sumir — ...veículo.

— Eu já pedi desculpas!

Retruco, sentindo a raiva borbulhar novamente.

— Desculpas não pagam a franquia do meu seguro, Ana Clara. E elas certamente não consertam o susto que você deu no meu filho. Você precisa aprender a lidar com as consequências de ser uma inconsequente.

Ele retira um cartão do bolso interno do terno e o estende para mim, e eu faço o mesmo, dou o meu. Seus dedos tocam os meus por um segundo, e eu sinto uma descarga elétrica que me faz recuar. 

— Esteja no meu escritório nesta quarta, às nove da manhã. Vamos discutir como você vai pagar por isso. E não pense em fugir. Eu tenho a sua placa e vou acionar meus advogados se você não aparecer.

Ele tira uma foto do meu carro e do dele e então da minha cara de rabo de cavalo toda molhada e entra no SUV sem esperar por uma resposta. O motor ruge e o carro se afasta, deixando-me sozinha na chuva, com um cartão dourado na mão e o peso de uma dívida que eu sei que não posso pagar. O desastre aconteceu, mas o que vem a seguir parece ser muito mais perigoso. Gabriel Monteiro não sabe quem eu sou, mas ele quer que eu pague. E eu não tenho ideia de como vou sair dessa.

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Anne
Top das Galáxias. Maravilhoso ....................................
2026-06-18 04:24:46
0
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Elisa Almeida
Ótimo, livro! Parabéns!
2026-04-29 11:51:34
5
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Dalilia
Gostei demais .........
2026-04-23 03:51:22
4
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Menina Mulher
Difícil não gostar desse livro. Como a maioria, eu amei demais
2026-04-11 16:49:23
4
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Luana
A história gira em torno de um casamento por conveniência — um trope muito amado em romances — onde o protagonista masculino precisa da protagonista por algum motivo específico, a luta pela guarda do pq Léo.Prende pela tensão emocional e pela dinâmica de poder entre os protagonistas. ......
2026-04-09 03:20:23
8
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Anne
Amando até onde li
2026-04-03 07:18:17
3
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MFelix
posta ainda hoje
2026-04-01 03:50:25
4
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MFelix
MAIS MAIS MAIS.
2026-04-01 01:56:19
3
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Marcia x
Até onde li estou amando. É maravilhoso ver como ela quebra ele de um jeito que ele perdeu as falas
2026-03-31 02:33:17
2
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Samantha
A Ana é maravilhosa. Sarcástica, sensível e com aquele coração enorme que ela tenta esconder. E o Gabriel… meu Deus. O homem é impossível, arrogante, mandão… mas também tem aquele lado quebrado que faz a gente querer sacudir ele e abraçar ao mesmo tempo.
2026-03-26 03:01:10
5
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Isa F.
O que eu mais amo é que o livro não é só romance. Tem humor, tem tensão, tem aquele clima de eles não deviam sentir isso, mas sentem. E cada cena entre os dois tem aquela eletricidade que faz a gente virar página atrás de página.
2026-03-26 00:02:41
5
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Menina Mulher
Esse livro está me prendendo do começo ao fim. Gabriel é intenso, Ana Clara é forte, e a relação deles cresce de um jeito cheio de tensão e emoção. O Leo traz uma parte doce para a história que equilibra tudo. Mal posso esperar o próximo capítulo.
2026-03-25 00:28:17
5
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Kayra Marck
Que livro bem escrito e maravilhoso. Adorando demais a história
2026-03-24 23:53:37
4
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Srta S
A história é boa, com começo, meio e fim. Mas precisa muito de uma revisão. Diversas passagens se repetem, a cronologia se bagunça vez ou outra e ele parece mais um diário do que um livro. É, em grande parte, os pensamentos da protagonista, o que acaba tornando a leitura cansativa. Vale a leitura.
2026-06-09 21:14:42
0
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Marcia Melek
Que história maravilhosa!!!
2026-06-15 05:29:15
1
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