O papel em minhas mãos parece queimar. Não é um papel qualquer; é o contrato. O mesmo que Gabriel Monteiro me entregou ontem, com aquela frieza calculista que me irrita e, confesso, me intriga. As palavras dançam diante dos meus olhos, cada cláusula um golpe na minha já abalada dignidade. “Casamento por conveniência”, “duração de um ano”, “aparências públicas”, “quantia a ser paga”. É tudo tão formal, tão desprovido de qualquer emoção, que sinto um nó na garganta.
Estou sentada na minha pequena