A luz da manhã entra timidamente pelas janelas do meu novo ateliê na mansão, iluminando as partículas de poeira que dançam no ar, impregnado pelo cheiro forte de terebintina e óleo de linhaça. Estou diante de uma tela enorme, mas, pela primeira vez em meses, minha mão treme. Não é o bloqueio criativo que me assombrava no passado; é algo muito mais físico, uma vertigem que sobe do estômago e nubla minha visão sempre que tento focar nos detalhes do rosto de Gabriel que esboço.
A verdade? O cheiro