Mundo de ficçãoIniciar sessãoEle continua completamente sério.
— O casamento seria real. Mas teria prazo de um ano. Agora tenho certeza absoluta de que enlouqueci. — Ah, claro. Isso faz todo o sentido — digo, gesticulando. — Um casamento temporário com um estranho milionário. Perfeitamente normal. Acontece o tempo todo. — É um acordo. — Claro que é. — Um contrato. — Evidentemente. — E você seria muito bem paga. Essa parte faz meu cérebro prestar atenção imediatamente. Droga. Eu odeio quando dinheiro entra na conversa. — Quanto? — pergunto antes que minha dignidade consiga me impedir. Ele cita um número. Meu coração para. Literalmente. — Isso é… — engulo em seco — …isso é dinheiro de verdade. — Sim. — Tipo pagar dívidas, salvar casa, parar de viver à base de macarrão instantâneo? — Sim. Passo a mão no rosto. — Meu Deus. Olho para ele. — E qual é a pegadinha? — Precisamos parecer um casal de verdade durante um ano. — Por quê? Ele demora um segundo antes de responder. — Porque meus sogros querem tirar meu filho de mim. Isso corta o humor da situação imediatamente. — Leo? Ele assente. E de repente aquela imagem volta à minha cabeça. O menino sorrindo para mim na chuva. O joelho ralado. A forma como ele segurou minha mão. Meu peito aperta. — Então… você quer uma esposa de mentira para convencer um tribunal de que tem uma família estável. — Exatamente. Cruzo os braços novamente. — Você percebe que está propondo isso para uma mulher que conheceu porque ela bateu no seu carro, certo? — Sim. — E que provavelmente é a candidata menos estável emocionalmente da cidade? — Eu estou disposto a correr esse risco. Respiro fundo. Olho para minha casa. Para as contas. Para minha vida caótica. E depois olho de volta para o homem absurdamente rico parado na minha porta oferecendo uma solução completamente insana. — Eu preciso de café — digo. Ele espera. — Muito café. Porque aparentemente minha vida acabou de virar a história mais absurda do planeta. E, pelo jeito… eu estou realmente considerando aceitar. — Mas antes de qualquer coisa — interrompi, a voz mais firme do que eu esperava, — como o senhor encontrou o endereço da minha casa? Gabriel ergueu uma sobrancelha, um leve ar de impaciência cruzando seu rosto. Como se minha pergunta fosse uma distração irrelevante de algo muito mais importante. — Fácil. Pela placa do seu carro. Mas vamos ao que interessa, você se casa comigo, certo? — Não. — A palavra escapou antes que eu pudesse me conter, um ato reflexo de pura indignação. Ergui o nariz, sentindo um pingo de dignidade retornar, mesmo que meu estômago se revirasse no mesmo instante com o pânico da minha própria audácia. Mas não daria o braço a torcer. Ele era arrogante, e eu faria questão de que soubesse disso. — Não, eu não me caso com o senhor. Não sou um problema a ser resolvido com um contrato, senhor Monteiro. E o mundo não gira em torno da sua conveniência. Eu me arrependi na hora de ter negado. Deus! Como você é burra. Deixa ele com sua arrogância e aceita, mas meu orgulho me faz erguer mais o meu nariz. Gabriel piscou. Uma vez. Duas. O ar pareceu rarear em seus pulmões. Ele, o homem que controlava impérios, que estava acostumado a ter cada desejo atendido, parecia ter engasgado com a própria arrogância. Seus olhos, antes frios e calculistas, agora exibiam uma mistura de choque e algo que beirava a fúria contida. Ele abriu a boca, mas nenhum som saiu. O silêncio que se seguiu foi tão absoluto que tenho certeza de que até o universo ficou constrangido. Pisca. Pisca de novo.Se Gabriel Rodrigo Monteiro fosse um computador, tenho quase certeza de que nesse momento ele estaria emitindo um barulho de erro crítico.
Eu observo aquilo com uma mistura curiosa de pânico e satisfação infantil. Porque, veja bem… eu acabei de dizer não para um homem que provavelmente compra empresas antes do café da manhã. Isso deveria me dar uma medalha. Ou um atestado de insanidade. Talvez os dois.Ele finalmente fecha a boca devagar, como se estivesse reorganizando o universo dentro da própria cabeça.
— Desculpe… — ele diz lentamente — …você disse não?Cruzo os braços.
— Disse. Silêncio. O vento passa pela rua como se estivesse assistindo à cena. Eu sinto uma vontade absurda de rir. Porque isso é tão surreal que parece roteiro de filme ruim. Um CEO milionário parado na porta da minha casa descascada propondo casamento. E eu recusando.Gabriel passa a mão pela nuca, um gesto rápido, controlado… mas claramente irritado.
— Senhorita Duarte — ele começa, com aquele tom que pessoas ricas usam quando acreditam que o problema é falta de explicação — talvez você não tenha entendido completamente a proposta. — Eu entendi perfeitamente. — Você receberia uma quantia que resolveria todos os seus problemas financeiros. — Eu ouvi. — Suas dívidas. Se alguém escrevesse isso, eu mesma diria que é exagero.






