O telefone tocou às cinco da manhã. Eu ainda estava nua na cama, enrolada no lençol, tentando entender se aquela marca de sangue no carro era real ou parte de algum pesadelo com cheiro de pólvora.
Você atendeu no viva-voz, com a voz ainda rouca.
— Fala.
Do outro lado, uma voz masculina disparava em turco, acelerada, ofegante. Eu não entendia as palavras, mas conhecia bem aquele tom: medo.
Quando a ligação terminou, você jogou o celular na cadeira e passou as mãos no rosto.
— O que houve?
— Um d