A cidade deslizava pela janela como um filme que eu não tinha vontade de assistir. Neon, chuva, trânsito — tudo igual. Quando o táxi parou em frente ao meu prédio, o visor do taxímetro brilhava em vermelho. Aproximei o rosto para ver se aquele número era real.
— Cento e quarenta? — perguntei, indignada.
— É a tarifa da zona nobre, senhora.
Paguei com o maxilar travado. Da próxima vez, vou a pé.
Lá dentro, o apartamento estava escuro. Diogo dormia. Os sapatos ao lado do sofá, o celular no peito. Fiquei parada na porta por um tempo, tentando não acordá-lo. Larguei a bolsa, tirei os sapatos e sentei à mesa da cozinha. O silêncio pesava. Noites assim seriam comuns quando ele fosse embora. Talvez eu ainda trabalhasse para Daniel, talvez não. O apartamento continuaria frio do mesmo jeito.
O celular vibrou.
Era o Nick.
“Ei. Estava pensando… jantar qualquer dia?”
Fiquei olhando para a tela. Eu devia dizer não. Eu nem sabia quantos crimes tinha cometido só por lidar com a assinatura daquel