Fiquei no chuveiro deixando a água bater no rosto. Pensei em costelinhas e cerveja. Fazia tanto tempo que eu não me permitia um prazer simples que já nem lembrava. Pensei na risada de Nick — ela atravessava o barulho dentro da minha cabeça como uma fresta de luz.
Diogo pegou uma caneca, beijou minha bochecha e saiu para o trabalho. O apartamento ficou em silêncio.
No ônibus, observei os prédios cinzentos passando. Em cada janela havia um escritório igual ao meu. Eu quase podia sentir o exército de secretárias como eu, digitando furiosamente, como eu. Tentando pagar as contas, como eu.
Não conseguia parar de repassar a noite com Daniel na cabeça. As coisas que eu devia ter dito! Será que ainda tinha um emprego com ele? E, se tivesse… eu queria continuar?
Troquei a lembrança pela noite com Nick. A mesa do bar, a música, as piadinhas. Isso ajudava.
No escritório, Sarah me chamou com um aceno.
— Você até parece gente hoje.
— Que elogio! O que foi que eu fiz para merecer?
— Dormiu?
— U