Ana
A garganta já doía. Eu já tinha gritado o nome da Sônia umas vinte vezes — com variações de “socorro”, “abre aqui” e até “eu juro que pago hora extra” — e nada.
O silêncio do outro lado da porta era humilhante.
Encostei na parede e respirei fundo.
— Acho que ela esqueceu da gente — murmurei, exausta.
Lex, sentado no chão com as pernas esticadas e as mãos cruzadas atrás da cabeça, me olhou com calma.
— Relaxa. Mais cedo ou mais tarde alguém vai sentir falta da gente.
— Eu não sei, Lex. Você