Fazia dois dias que Aurora escrevia sem parar.
Aos poucos, seu livro pessoal tomava forma — um híbrido de memórias, confissões e ensaios sobre literatura e silêncio. Era libertador, mas também assustador. Colocar suas próprias dores no papel exigia coragem diferente de publicar as dos outros.
Davi, percebendo o mergulho introspectivo da sócia, apareceu na sala com duas canecas de café e um envelope.
— Tem uma ideia aqui que pode mudar o rumo da Constela outra vez — disse, entregando o envelope.