A noite tinha caído devagar, como se a cidade também estivesse cansada. Helena estava sozinha em casa, sentada no sofá, com as luzes apagadas e apenas o abajur da sala aceso, criando sombras suaves nas paredes. O silêncio não era incômodo — era denso. Carregado de pensamentos que ela vinha tentando organizar desde que voltara da casa dos pais.
Sobre a mesa de centro, havia uma pequena pilha de coisas que ela tirara das gavetas durante a arrumação da tarde: cartas antigas da família, fotografias amareladas, um terço que fora da avó, e um caderno de capa simples que ela não lembrava exatamente quando tinha comprado. Abriu-o por curiosidade. As primeiras páginas estavam em branco, mas mais adiante havia frases soltas, escritas com a própria letra.
“Eu prometi esperar.”
“Mesmo que em outra vida.”
Helena franziu a testa. Não lembrava de ter escrito aquilo. Passou os dedos pelas palavras, sentindo um arrepio percorrer-lhe a espinha. O coração bateu mais rápido, não de medo, mas de reconhec