Helena estava sentada no sofá, com as pernas dobradas sob o corpo, encarando a sala organizada demais para alguém que tinha passado o dia inteiro tentando colocar os pensamentos em ordem. A casa cheirava a limpeza, mas o coração ainda estava bagunçado. Ela segurava uma caneca de chá morno, esquecida entre as mãos, quando o celular vibrou sobre a mesa de centro.
O som fez seu coração dar um pulo imediato.
Por um segundo — curto, quase involuntário — ela pensou que fosse Arthur.
Mas ao pegar o celular, viu o nome de Laura piscando na tela.
Laura: Já tá voltando ou ainda tá na estrada?
Helena soltou o ar devagar, como se estivesse segurando a respiração sem perceber.
Helena: Já cheguei. Tô em casa desde o começo da tarde.
A resposta veio quase instantânea.
Laura: Então aceita sair pra um café? Tô precisando colocar o papo em dia com você.
Helena sorriu sozinha. Olhou ao redor do apartamento, silencioso demais, e percebeu que, apesar do cansaço, não queria ficar sozinha naquela noite.
Hel