Arthur estava sentado à mesa da cozinha, mas não via o café à sua frente. O vapor subia lentamente da xícara, dissipando-se no ar como os pensamentos que ele não conseguia organizar. O peito apertava de um jeito estranho, dolorido, como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dele aos poucos, sem aviso, sem anestesia. Ele levou a mão ao centro do tórax, respirou fundo, tentando ignorar aquela sensação sufocante.
Foi inútil.
As lágrimas começaram a escorrer sem que ele percebesse. Não vieram