Raízes no presente

O tempo começou a seguir outro ritmo. Não o da urgência, nem o do medo, mas o da reconstrução silenciosa, feita de gestos pequenos e constância. Ágata percebeu que curar não era esquecer. Era aprender a viver sem que a dor ocupasse todos os cômodos da alma.

As manhãs passaram a ter cheiro de café fresco e vozes infantis discutindo coisas triviais. Filipe voltou a sorrir sem pedir permissão ao passado. Artur, ainda cauteloso, observava o mundo com a seriedade de quem amadureceu cedo demais. Entre eles, nasceu uma cumplicidade inesperada, feita de jogos simples, risadas contidas e uma linguagem própria que dispensava explicações.

Henrique assistia àquilo com um misto de orgulho e responsabilidade. Pela primeira vez, sentia que não estava apenas reagindo à vida, mas escolhendo como vivê-la. O trabalho continuava exigente, mas já não era refúgio. Era parte, não fuga.

Ágata voltou ao escritório algumas semanas depois. Não por obrigação, mas por decisão. Caminhou pelos corredores com a
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